Capítulo · Trauma, Cirurgia e Medicina Intensiva Ed. IX

Encefalopatia Hepática Aguda Em Pacientes Críticos: Diagnóstico, Escore De Gravidade E Conduta

Resumo

A encefalopatia hepática (EH) é uma síndrome neuropsiquiátrica potencialmente reversível, associada à insuficiência hepática aguda ou crônica descompensada, caracterizada por alterações cognitivas, motoras e de consciência. Na UTI, a encefalopatia hepática aguda (EHA) assume relevância especial por representar marcador de gravidade, complicação frequente em pacientes críticos e fator prognóstico independente. A EHA pode evoluir de forma súbita, exigindo reconhecimento imediato, estratificação de risco e medidas terapêuticas rápidas, inclusive avaliação precoce para transplante hepático. Diferencia-se da forma crônica, mais insidiosa e recorrente, pelo impacto sistêmico severo, rápida progressão e risco elevado de edema cerebral e morte.
Essa condição envolve acúmulo de neurotoxinas, principalmente amônia, decorrente da falência hepatocelular e da circulação colateral porto-sistêmica. A amônia atravessa a barreira hematoencefálica, levando a aumento do glutamato e edema astrocitário, resultando em disfunção neuronal difusa. Fatores precipitantes incluem hemorragia digestiva, infecção, desidratação, constipação, uso de sedativos ou diuréticos em excesso. A classificação da encefalopatia hepática segue critérios clínicos e eletrofisiológicos. O sistema West Haven é amplamente utilizado, graduando de 0 (mínima) a 4 (coma hepático). Em pacientes críticos, a progressão rápida para graus avançados pode comprometer ventilação, hemodinâmica e prognóstico.
O diagnóstico é clínico, sustentado pela história de doença hepática e exclusão de causas neurológicas alternativas. Exames laboratoriais auxiliam na avaliação, embora a dosagem de amônia não seja isoladamente diagnóstica. A tomografia de crânio e, em alguns casos, a ressonância magnética são úteis para excluir lesões estruturais e sangramentos.O tratamento consiste em identificar e corrigir fatores precipitantes, reduzir a produção intestinal de amônia e garantir suporte intensivo. Em UTI, o manejo inclui controle de via aérea em pacientes com alteração grave de consc