Capítulo · Pesquisa Multidisciplinar em Saúde Ed. XX

Interferência Da Inteligência Artificial Na Saúde Da Criança

Resumo

INTRODUÇÃO: A inteligência artificial (IA), como o ChatGPT, tem se popularizado como fonte de informações em saúde devido à sua linguagem acessível e rápida disponibilidade de respostas. Embora essas tecnologias possam auxiliar no esclarecimento de dúvidas, questiona-se sua acurácia e o impacto que exercem sobre a relação médico-paciente. Em pediatria, essa questão ganha relevância, pois pais e responsáveis, ao buscar orientações em plataformas de IA, podem adotar condutas que influenciem o tratamento dos filhos, antes ou após a consulta médica. Apesar da crescente adoção dessas ferramentas, ainda existem poucos estudos que avaliam sua interferência no processo de cuidado pediátrico. OBJETIVO: Investigar a interferência da IA no cuidado pediátrico, analisando sua utilização por responsáveis e o impacto percebido no tratamento e na relação com médicos. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo quantitativo e descritivo, realizado entre agosto e dezembro de 2024 em dois hospitais públicos de Sorocaba-SP, nos setores de pediatria. A amostra foi composta por 65 responsáveis por pacientes internados, que responderam a um questionário estruturado dividido em duas partes: dados sociodemográficos e questões em escala de Likert acerca do uso da IA. Os dados foram analisados com auxílio do Stata 16.0. Foram aplicados o teste qui-quadrado de Pearson, o teste exato de Fisher e regressão ordinal pelo modelo logit (ologit), considerando significância estatística para p<0,05. RESULTADOS: O perfil predominante dos participantes foi de mães, entre 20 e 30 anos, com ensino médio completo e renda familiar de até dois salários-mínimos. Observou-se que a faixa etária de 30–40 anos apresentou maior confiança nas respostas da IA em comparação aos mais jovens (p=0,009). A confiança mostrou-se progressivamente maior em mulheres conforme o aumento da idade, resultado confirmado pela regressão ordinal (p=0,034). Apesar disso, a maioria dos responsáveis relatou não discutir com o médico o conteúdo obtido por meio da IA (p=0,028), mesmo quando util