Capítulo · Imunologia & Doenças Infecciosas e Parasitárias - Ed X

Virulência em Candida spp.: uma visão integrada para a prática clínica

Resumo

Candida spp. constitui um grupo de leveduras pertencentes ao Filo Ascomycota, Classe Saccharomycetes, Ordem Saccharomycetales e Família Debaryomycetaceae. Embora tradicionalmente descritas como leveduras de aspecto Gram-positivo, são organismos eucariontes, diferentemente das bactérias. Apresentam células ovais ou arredondadas e capacidade de modular sua morfologia conforme o ambiente. Amplamente distribuídas na natureza e na microbiota humana, essas leveduras podem atuar como agentes oportunistas, dependendo do equilíbrio entre fatores ambientais, imunológicos e genéticos do hospedeiro.
A patogenicidade de Candida spp. resulta da interação entre características biológicas, morfológicas e ecológicas que permitem a essas leveduras colonizar diversos nichos do corpo humano — como cavidade oral, mucosa vaginal, trato gastrointestinal e pele — e, sob condições favoráveis, desencadear infecções. Situações como imunossupressão, ruptura de barreiras epiteliais e uso prolongado de antimicrobianos favorecem a transição de um estado comensal para um comportamento patogênico.
As diferenças intrínsecas entre espécies determinam graus variados de virulência. Candida albicans destaca-se pela elevada capacidade invasiva, enquanto espécies não albicans, como C. tropicalis e C. parapsilosis, vêm ampliando sua relevância clínica, especialmente em ambientes hospitalares e em pacientes críticos. Esses microrganismos expressam atributos de virulência essenciais para o sucesso infeccioso, incluindo forte aderência a superfícies biológicas e abióticas, formação de biofilmes estruturados e transições morfológicas que favorecem a penetração tecidual. A plasticidade morfológica — tigmotropismo — permite respostas rápidas às condições ambientais e amplia a capacidade de adaptação e invasão.
No âmbito epidemiológico, observa-se um cenário dinâmico, marcado pela alternância entre o predomínio de isolados albicans e não albicans. Essa variação está frequentemente associada ao uso de dispositivos invasivos, à pressão seletiva de antifúngico