Capítulo · Saúde da Mulher - Ed. XXVIII

Incontinência Urinária Feminina

Resumo

A incontinência urinária feminina (IUF), definida pela International Continence Society (ICS) como qualquer perda involuntária de urina, configura um problema de saúde pública com alta prevalência e impacto negativo na qualidade de vida das mulheres. Estima-se que até 40% das mulheres adultas apresentarão algum grau de perda urinária ao longo da vida, sendo sua frequência maior com o avançar da idade, após gestações, partos vaginais e no período pós-menopausa.
A fisiopatologia é multifatorial, envolvendo alterações anatômicas, funcionais e neurológicas do trato urinário inferior e do assoalho pélvico. O equilíbrio entre pressão intravesical, competência esfincteriana e suporte uretral é essencial para a continência. Fatores de risco incluem obesidade, doenças respiratórias crônicas, cirurgias pélvicas, constipação crônica e predisposição genética.
Existem três subtipos principais: incontinência urinária de esforço (IUE), caracterizada pela perda urinária associada a esforços como tosse, espirro e atividade física, decorrente de deficiência esfincteriana ou hipermobilidade uretral; incontinência urinária de urgência (IUU), associada à urgência miccional súbita, usualmente vinculada à bexiga hiperativa; e incontinência urinária mista (IUM), quando coexistem sintomas de esforço e urgência. Há ainda formas menos comuns, como a incontinência por transbordamento e a incontinência funcional.
O diagnóstico inicia-se por uma anamnese detalhada, caracterizando os sintomas, frequência, volume e impacto funcional. O exame físico, com avaliação ginecológica e pélvica, é essencial para identificar fatores associados, como prolapsos ou atrofia urogenital. Exames complementares, como estudo urodinâmico, diário miccional, testes de absorvente e ultrassonografia do assoalho pélvico, podem auxiliar na diferenciação entre os subtipos e na escolha da terapêutica adequada.
O tratamento da IUF deve ser individualizado, levando em conta a gravidade dos sintomas, impacto na qualidade de vida, comorbidades e expectativas da paciente.