Capítulo · Endocrinologia e Medicina Estética Ed. XI

EIXO HPA NO ESTRESSE CRÔNICO: MECANISMOS, CONSEQUÊNCIAS METABÓLICAS E RESPOSTAS INFLAMATÓRIAS

Resumo

Introdução
O eixo hipotálamo–hipófise–adrenal (HPA) desempenha papel central na resposta fisiológica ao estresse, regulando a liberação de glicocorticoides e a adaptação do organismo a estímulos agudos e crônicos. No contexto do estresse crônico, a ativação persistente do eixo HPA pode levar à disfunção neuroendócrina, com alterações na secreção de cortisol e perda dos mecanismos de retroalimentação negativa. Essas alterações estão associadas a consequências metabólicas relevantes, como resistência à insulina, obesidade central, dislipidemia e aumento do risco cardiovascular, além de modular de forma significativa a resposta inflamatória e imunológica. Assim, a compreensão dos mecanismos envolvidos na desregulação do eixo HPA no estresse crônico é fundamental para elucidar sua contribuição para o desenvolvimento de doenças metabólicas e inflamatórias.

Metodologia
Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, realizada por meio de buscas nas bases de dados PubMed/MEDLINE, Scopus e Web of Science. Foram utilizados descritores em português e inglês, incluindo “hypothalamic–pituitary–adrenal axis”, “chronic stress”, “cortisol”, “metabolic consequences” e “inflammation”. Foram incluídos estudos experimentais, ensaios clínicos, estudos observacionais, revisões sistemáticas e metanálises relevantes, publicados prioritariamente nos últimos anos. A seleção dos estudos baseou-se na relevância científica, qualidade metodológica e contribuição para a compreensão integrada dos efeitos metabólicos e inflamatórios da ativação crônica do eixo HPA.

Plano de abordagem do capítulo
O capítulo será iniciado com a revisão da fisiologia do eixo HPA e de seus mecanismos de regulação em condições de estresse agudo. Em seguida, serão discutidos os processos envolvidos na ativação crônica do eixo, incluindo alterações nos receptores de glicocorticoides e nos mecanismos de feedback negativo. Posteriormente, serão analisadas as principais consequências metabólicas do estresse crônico, com destaque para resistência à insulina, red