Capítulo · Enfermagem em Foco Estudos: Clínicos, Revisões e Projetos que Transformam a Prática - Ed. I

ANÁLISE ESPAÇO-TEMPORAL E TENDÊNCIAS DA MORTALIDADE POR DOENÇAS IMUNOPREVENÍVEIS SENSÍVEIS À ATENÇÃO PRIMÁRIA NO BRASIL DE 2000 A 2024

Resumo

INTRODUÇÃO: As doenças imunopreveníveis sensíveis à atenção primária (DISAPs) representam agravos cuja mortalidade pode ser reduzida por meio de vacinação e cuidados na Atenção Primária à Saúde (APS). No Brasil, apesar dos avanços do Programa Nacional de Imunizações (PNI), a queda das coberturas vacinais após 2019 e as desigualdades regionais ameaçam os resultados históricos alcançados. Este estudo analisou a tendência temporal e a distribuição espaço-temporal da mortalidade por DISAPs no Brasil entre 2000 e 2024. OBJETIVO: Analisar os padrões espaço-temporais e a tendência temporal da mortalidade por doenças imunopreveníveis sensíveis à atenção primária no Brasil entre 2000 e 2024. METODOLOGIA: Estudo ecológico com dados secundários do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM/DataSUS), abrangendo óbitos por DISAPs conforme a Portaria nº 221/2008. Foram calculadas taxas de mortalidade por 100.000 habitantes e analisadas tendências temporais pelo Joinpoint Regression Program, com estimativa da Variação Percentual Anual Média (VPAM). A distribuição espacial foi avaliada pelo Índice de Moran Global e Local (LISA), e a detecção de aglomerados espaço-temporais foi realizada por varredura scan no SaTScan. As análises foram conduzidas nos softwares Stata, GeoDa e QGIS. RESULTADOS: Foram registrados 132.526 óbitos no período, com predomínio do sexo masculino (74%), faixa etária de 50 a 59 anos, raça/cor parda e baixa escolaridade. A tuberculose pulmonar respondeu pela maior proporção dos óbitos (58,31%). No plano nacional, observou-se tendência decrescente (VPAM = −0,28%; p = 0,0276). Contudo, as regiões Norte (VPAM = 1,07%) e Nordeste (VPAM = 0,29%) apresentaram tendências crescentes significativas, enquanto Sudeste e Sul registraram reduções. Em nível estadual, os maiores incrementos ocorreram no Maranhão, Paraíba, Sergipe e Pará. A análise espacial identificou autocorrelação positiva (I de Moran = 0,332; p = 0,001), com aglomerados alto-alto concentrados no Nordeste e extensas áreas de baixo-baixo no Sul. A varred