Capítulo · Cardiologia – Teoria e Prática Ed. XXV Volume 2
Insuficiência Cardíaca: Abordagem Clínica Integrada E Terapêutica
- ISBN 978-65-6029-331-1
- DOI https://doi.org/10.59290/5022192572
- Ano 2026
- Palavras-chave Insuficiência Cardíaca; Remodelamento Ventricular; Prognóstico
Resumo
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome complexa resultante de anormalidades estruturais e/ou
funcionais que comprometem a capacidade de ejeção e/ou enchimento do coração. Nesse sentido,
caracteriza-se pela incapacidade do coração de bombear sangue para atender as necessidades
metabólicas tissulares — ou fazê-lo apenas com elevadas pressões de enchimento —, gerando sinais e
sintomas típicos de redução no débito cardíaco., A IC constitui um dos maiores desafios de saúde
pública, apresentando alta prevalência — que aumenta com a idade — e mortalidade significativa,
sobretudo entre idosos. Seu perfil clínico envolve etiologias diversas, sendo a isquemia a mais
prevalente. No Brasil, permanece como a principal causa de hospitalização por doenças
cardiovasculares no SUS, impondo custos econômicos elevados e taxas de reospitalização precoce.
A IC esquerda pode ser classificada, com base na fração de ejeção do ventrículo esquerdo, em três
categorias principais: IC com fração de ejeção reduzida (ICFER), quando a FEVE é <40%; IC com
fração de ejeção levemente reduzida (ICFEmr), entre 41–49%; e IC com fração de ejeção preservada
(ICFEP), quando ≥50%, conforme diretrizes brasileiras. Somado a isso, sob o ponto de vista
fisiopatológico, a IC resulta da interação entre disfunção miocárdica e respostas adaptativas
neuro-hormonais, com hiperativação do SRAA e do SN simpático, promovendo vasoconstrição,
retenção hídrica e remodelamento ventricular progressivo. Esses mecanismos, inicialmente
compensatórios, tornam-se nocivos ao agravarem o estresse da parede miocárdica, reduzirem o débito
cardíaco e perpetuarem a congestão. É importante citar que, quanto à etiologia, destacam-se causas
estruturais e/ou funcionais que afetam o miocárdio, sendo a doença arterial coronariana e a
hipertensão arterial sistêmica as mais prevalentes no cenário brasileiro, seguidas por miocardiopatias,
valvopatias, arritmias e etiologias específicas, como a miocardiopatia chagásica, ainda de grande
relevância epidemiológica no p