Capítulo · Cardiologia – Teoria e Prática Ed. XXV

Hipertensão arterial sistêmica: estratégias terapêuticas atuais e abordagem baseada em fenótipos clínicos

Resumo

INTRODUÇÃO: A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma doença crônica, multifatorial e não transmissível, definida pela elevação persistente da pressão arterial (PA) sistólica (PAS) maior ou igual a 140 mmHg e/ou da PA diastólica (PAD) maior ou igual a 90 mmHg, aferida por técnica correta, em pelo menos duas ocasiões e na ausência de medicações anti-hipertensivas. No Brasil e no mundo, as doenças cardiovasculares representam a principal causa de mortalidade, e a HAS representa seu principal fator de risco modificável. Trata-se de uma condição resultante da interação entre fatores genéticos/epigenéticos, ambientais e psicossociais. OBJETIVO: Fornecer uma visão sintética e atual da HAS, integrando seus mecanismos fisiopatológicos e as principais estratégias terapêuticas
recomendadas pelas diretrizes atuais. METODOLOGIA: Trata-se de uma revisão narrativa de literatura, realizada a partir de buscas na base de dados PubMed e na Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025. RESULTADOS: A literatura, alinhada à atual Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, evidencia que a HAS permanece como uma condição multifatorial e progressiva, influenciada por mecanismos neuro-humorais, disfunção endotelial e remodelamento vascular, contribuindo para lesões de órgão-alvo e aumento do risco cardiovascular global. No diagnóstico, destaca-se a importância da aferição correta da PA como etapa essencial, complementada pela utilização da MAPA e MRPA para maior precisão, especialmente na identificação de hipertensão mascarada e hipertensão do avental branco, permitindo estratificação de risco mais acurada e definição de condutas
personalizadas. A diretriz brasileira atual introduz mudanças importantes na classificação e no manejo da doença. A principal atualização é a reclassificação dos valores pressóricos, com destaque para a inclusão formal da pré-hipertensão (PAS 120–139 e/ou PAD 80–89). Além disso, a diretriz adota metas de tratamento mais rigorosas, recomendando PA <130/80mmHg para a maioria dos pacientes, devido à m