Capítulo · Gastroenterologia e Hepatologia - Ed. XII
Endometriose apendicular
- ISBN 978-65-6029-291-8
- DOI https://doi.org/10.59290/2805201008
- Ano 2025
- Palavras-chave Endometriose Apendicular; Apendicite; Endometriose
Resumo
1. Introdução
A endometriose é um distúrbio ginecológico benigno comum, que pode ser sintomático ou assintomático, caracterizado pela presença ectópica de tecido endometrial funcional fora da cavidade uterina (Schorge et al., 2020). É uma patologia hormônio dependente, sendo por isso encontrada sobretudo nas mulheres em idade reprodutiva, com uma estimativa de 10% a 15%. Afeta predominantemente ovários, tubas uterinas e ligamentos útero-sacrais, podendo acometer órgãos intestinais, como o apêndice e a bexiga, o que dificulta o diagnóstico clínico devido à sintomatologia inespecífica. Além disso, pode estar diretamente ligada com a perda da qualidade de vida, tornando esse um dos aspectos mais importantes da doença, sendo multifatorial, e impactando profundamente o bem-estar físico, emocional, social e profissional.
Embora não exista relato preciso do primeiro caso descrito, a endometriose apendicular foi inicialmente documentada em 1860, conforme citado por Gustofson et al. (2006), e é uma condição rara que pode simular quadros clínicos de apendicite aguda ou outras patologias abdominais. Deve ser considerada como diagnóstico diferencial em mulheres jovens que apresentam dor abdominal recorrente, inespecífica, principalmente na região do quadrante inferior direito, muitas vezes associada à história de infertilidade.
Sendo assim, é muito importante o diagnóstico precoce, principalmente nas pacientes que apresentam sintomas de apendicite aguda, a fim de que seja realizado o manejo correto, evitando-se mais complicações. As manifestações clínicas podem incluir dor abdominal crônica ou cíclica, melena, intussuscepção cecal, obstrução, perfuração apendicular e perda da qualidade de vida.
Um dos exames indicados, primeiramente, no momento da apresentação das manifestações clínicas, é a ressonância magnética (RM) pélvica para a confirmação do diagnóstico. O manejo terapêutico padrão para esta entidade clínica consiste inicialmente em terapias hormonais e anti-inflamatórias. O tratamento cirúrgico, geralmente por