Capítulo · Imunologia & Doenças Infecciosas e Parasitárias - Ed. XII

BIOMARCADORES NO DIAGNÓSTICO PRECOCE DA SEPSE: EVIDÊNCIAS ATUAIS E PERSPECTIVAS CLÍNICAS

Resumo

A sepse representa a desregulação da resposta imune do hospedeiro frente a agentes infecciosos e parasitários, caracterizando-se por uma complexa interação entre cascatas pró e anti-inflamatórias que culminam em disfunção orgânica generalizada. A escolha deste tema assume relevância primordial no estudo das doenças infecciosas e da imunologia clínica, pois conecta diretamente os mecanismos imunopatológicos fundamentais das infecções graves com a prática médica diária. O reconhecimento precoce das alterações imunológicas e inflamatórias por meio de biomarcadores é determinante para mitigar a morbimortalidade associada a essas patologias, unindo a ciência básica da resposta imune à tomada de decisão imediata na assistência clínica. O presente capítulo tem como objetivo revisar de forma sistematizada o papel dos principais biomarcadores no diagnóstico precoce e manejo da sepse, fundamentando-se nas evidências científicas mais recentes e em diretrizes internacionais atualizadas. Trata-se de uma revisão narrativa construída a partir da análise crítica da literatura, com foco na aplicabilidade prática no cenário de atendimento hospitalar e de emergência. Inicialmente, são abordados a introdução e o cenário atual da sepse, contextualizando o impacto epidemiológico e a imunopatogenia inicial da resposta desregulada do hospedeiro. Em seguida, discutem-se os desafios diagnósticos e o papel prático dos biomarcadores na diferenciação entre inflamação sistêmica não infecciosa e a infecção instalada. O texto contempla a análise detalhada de marcadores rotineiros e hematológicos, avaliando a Proteína C-Reativa (PCR) e o VHS na prática diária, além do leucograma, contagem de plaquetas e índices hematológicos que refletem o desarranjo celular imunológico. Adicionalmente, explora-se a Procalcitonina (PCT), detalhando sua cinética e orientação terapêutica no tocante ao seu perfil superior na modulação e diferenciação etiológica entre quadros bacterianos e virais ou não infecciosos. O capítulo também aprofunda os marcadores de lesão