Capítulo · Ginecologia e Obstetrícia Ed. XX
Doença Inflamatória Pélvica
- ISBN 978-65-6029-277-2
- DOI https://doi.org/10.59290/2520213045
- Ano 2026
- Palavras-chave Doença Inflamatória Pélvica; Abscesso Tubo-Ovariano; Infertilidade Tuboperitoneal
Resumo
DOENÇA INFLAMATÓRIA PÉLVICA
A doença inflamatória pélvica (DIP) é um quadro infeccioso e inflamatório que acomete órgãos internos do trato genital feminino, como endométrio, tubas uterinas e ovários, devido à propagação ascendente de microrganismos do trato genital inferior. Essa disseminação ocorre por via canalicular, de forma espontânea ou associada a procedimentos ginecológicos como inserção de DIU, biópsia de endométrio e curetagem. Acomete mais frequentemente mulheres jovens que ainda não fazem uso regular de preservativos, estando assim mais expostas às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A dor pélvica é um sintoma obrigatório, mas pode passar despercebida quando se apresenta de forma discreta. As pacientes podem ser assintomáticas ou apresentar sintomas como dor abdominal, febre, calafrios, corrimento vaginal, sangramento uterino anormal, dispareunia, disúria, dor lombar, náuseas e vômitos. Trata-se de um importante problema de saúde pública, podendo evoluir com complicações graves como pelviperitonite ou ruptura de abscesso tubo-ovariano (ATO) e, em longo prazo, com infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica. No Brasil, sua incidência é desconhecida por não se tratar de condição de notificação compulsória. O diagnóstico é essencialmente clínico, devendo-se iniciar o tratamento antes mesmo da confirmação laboratorial. Em alguns casos, é necessário exame laparoscópico.
A progressão da DIP ocorre de forma segmentar, com infecção inicial do colo uterino (cervicite). A ascensão dos agentes, especialmente no período menstrual ou pós-menstrual imediato, pode alcançar o endométrio (endometrite), geralmente transitória. Quando não tratada precocemente, a infecção se estende às tubas uterinas, provocando salpingite e formação de secreção purulenta. Esse processo favorece a fusão das fímbrias e a formação de piossalpinges, podendo evoluir para abscesso tubo-ovariano. A ruptura do ATO é uma emergência médica, com risco de peritonite. Entre os agentes envolvidos, destacam-se Chlamydia trach