Capítulo · Cardiologia – Teoria e Prática Ed. XXV Volume 2

Manejo Das Bradiarritmias Graves: Algoritmos De Avaliação, Indicações De Marcapasso E Condutas Na Emergência

Resumo

Introdução: As bradiarritmias graves constituem um grupo heterogêneo de distúrbios do ritmo cardíaco caracterizados por frequência cardíaca inadequadamente baixa ou falha na condução do estímulo elétrico, podendo resultar em instabilidade hemodinâmica, síncope, choque e morte súbita. Seu manejo exige reconhecimento rápido, estratificação etiológica precisa e aplicação criteriosa de algoritmos clínicos baseados em diretrizes. Apesar dos avanços tecnológicos em estimulação cardíaca, a tomada de decisão no cenário de emergência permanece complexa, especialmente diante de causas reversíveis, comorbidades associadas e apresentações atípicas. Objetivo: Sintetizar as evidências contemporâneas sobre a avaliação e o manejo das bradiarritmias graves, com ênfase nos algoritmos diagnósticos, nas indicações de marcapasso temporário e definitivo e nas condutas recomendadas no contexto de emergência. Métodos: Revisão narrativa da literatura, com busca na base PubMed, incluindo diretrizes internacionais e estudos publicados entre 2015 e 2025. Foram priorizados trabalhos relacionados à abordagem clínica das bradiarritmias sintomáticas, bloqueios atrioventriculares avançados, disfunção do nó sinusal e estratégias de estimulação cardíaca no atendimento agudo. Resultados: A abordagem inicial das bradiarritmias graves baseia-se na avaliação simultânea da estabilidade hemodinâmica e da correlação entre ritmo e sintomas. Algoritmos recomendam identificação imediata de sinais de baixo débito, como hipotensão, alteração do nível de consciência, isquemia miocárdica ou insuficiência cardíaca aguda. Em pacientes instáveis, a estimulação elétrica transcutânea é indicada precocemente, enquanto a atropina permanece opção inicial em bradiarritmias de origem nodal, com eficácia limitada em bloqueios infranodais. A investigação etiológica direciona a conduta definitiva, incluindo distúrbios eletrolíticos, isquemia miocárdica, toxicidade medicamentosa e causas estruturais. O marcapasso
temporário é recomendado quando há persistência de instabilid