Capítulo · Gastroenterologia e Hepatologia - Ed. XIV

Lesões sólidas e císticas do fígado: abordagem clínica e diagnóstica

Resumo

As lesões sólidas e císticas do fígado são achados frequentes na prática clínica atual, sobretudo em decorrência do uso cada vez mais amplo de métodos de imagem para avaliação abdominal. Esse cenário tem levado ao aumento da identificação de incidentalomas hepáticos, muitos deles benignos e assintomáticos. Estima-se que cerca de 15% da população geral apresente algum tipo de lesão hepática benigna. A correta abordagem dessas alterações é essencial para diferenciar condições benignas de doenças malignas, orientar a necessidade de investigação complementar e definir a conduta adequada, evitando tanto intervenções desnecessárias quanto atrasos diagnósticos potencialmente graves.
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura. Serão realizadas buscas sistematizadas nas bases de dados UpToDate, SciELO, PubMed e Google Scholar, utilizando descritores relacionados a lesões hepáticas, massas sólidas e císticas do fígado, incidentalomas hepáticos, diagnóstico por imagem e manejo clínico e cirúrgico. Serão incluídos artigos de revisão, diretrizes, consensos e estudos relevantes publicados em português e inglês, com foco na abordagem diagnóstica e terapêutica dessas lesões.
A abordagem proposta inicia-se pela avaliação dos incidentalomas hepáticos, destacando sua relevância clínica e os critérios que orientam a investigação adicional. Em seguida, são discutidas as massas sólidas benignas mais comuns, como hemangioma, hiperplasia nodular focal, adenoma hepatocelular e nódulos regenerativos, bem como as massas sólidas malignas, incluindo carcinoma hepatocelular, colangiocarcinoma e metástases hepáticas. Posteriormente, são abordadas as lesões císticas do fígado, englobando cistos simples, doenças policísticas, cistos parasitários, cistos neoplásicos primários e secundários, alterações relacionadas aos ductos biliares e pseudocistos. Por fim, são apresentados os princípios de conduta, com ênfase no papel dos exames de imagem, da biópsia e das indicações de tratamento cirúrgico ou acompanhamento clínico, de acordo com as