Capítulo · Endocrinologia e Medicina Estética Ed. XI
Resistência à insulina: mecanismos fisiopatológicos e implicações clínicas
- ISBN 978-65-6029-344-1
- DOI https://doi.org/10.59290/2110908553
- Ano 2026
- Palavras-chave Resistência; Insulina; Fisiopatologia.
Resumo
A resistência à insulina representa um dos principais mecanismos envolvidos no desenvolvimento de doenças metabólicas e cardiometabólicas. Ela é definida como a redução da resposta dos tecidos-alvo à ação da insulina, principalmente no músculo esquelético, tecido adiposo e fígado. Como consequência, ocorre menor captação periférica de glicose, aumento da produção hepática de glicose e necessidade de maior secreção pancreática de insulina para manter a glicemia dentro de níveis adequados. Esse estado compensatório de hiperinsulinemia pode persistir por certo período; entretanto, com a progressão da disfunção metabólica e da sobrecarga das células beta pancreáticas, aumenta o risco de intolerância à glicose, pré-diabetes e diabetes mellitus tipo 2.
Do ponto de vista fisiopatológico, a resistência à insulina é um processo multifatorial, resultante da interação entre alterações moleculares, celulares e sistêmicas. Entre os principais mecanismos envolvidos, destacam-se o prejuízo na sinalização do receptor de insulina, alterações nos substratos IRS, redução da ativação da via PI3K/Akt e comprometimento da translocação do GLUT-4, essencial para a entrada de glicose nas células musculares e adiposas. Além disso, a inflamação crônica de baixo grau, o estresse oxidativo, a disfunção mitocondrial, o estresse do retículo endoplasmático e a lipotoxicidade contribuem para a piora progressiva da sensibilidade à insulina.
A obesidade, especialmente a obesidade visceral, desempenha papel central nesse processo. O tecido adiposo, quando hipertrofiado e metabolicamente disfuncional, deixa de atuar apenas como reservatório energético e passa a produzir substâncias capazes de interferir negativamente na homeostase metabólica. O aumento da lipólise favorece a liberação excessiva de ácidos graxos livres, que podem se acumular em órgãos como fígado, músculo e pâncreas. Esse acúmulo ectópico de lipídios está associado à lipotoxicidade, prejuízo da sinalização insulínica, disfunção mitocondrial e maior produção de espécies reativas de