Capítulo · Cardiologia – Teoria e Prática Ed. XXV Volume 2
Doença Cardíaca Na Mulher: Fisiopatologia, Diagnóstico E Manejo Da Cardiomiopatia Periparto
- ISBN 978-65-6029-331-1
- DOI https://doi.org/10.59290/2110414250
- Ano 2026
- Palavras-chave Cardiomiopatia Periparto; Insuficiência Cardíaca; Doença Cardíaca
Resumo
INTRODUÇÃO: A fisiopatologia da Cardiomiopatia Periparto (CMPP) é multifatorial e ainda não totalmente esclarecida. Embora as alterações hemodinâmicas da gestação sejam presentes, o mecanismo primário com maior contribuição à doença envolve estressores vascular-hormonais. O hormônio prolactina é crucial, pois é clivado em um fragmento tóxico de 16-kDa. Este fragmento danifica a vasculatura e os cardiomiócitos (ação antiangiogênica e pró-apoptótica), resultando em disfunção sistólica. Outros fatores associados incluem o excesso de sFlt-1 (tirosina quinase solúvel tipo fms 1), estados pró-inflamatórios e uma predisposição genética, com 15% a 20% dos casos ligados a mutações como a do gene Titin (TTN). OBJETIVOS: Descrever a fisiopatologia, os critérios diagnósticos e o manejo da cardiomiopatia periparto, com base nas principais evidências científicas e diretrizes atuais. MATERIAIS E MÉTODOS: Trata-se de uma Revisão Narrativa de Literatura baseada em 15 artigos de pesquisa e fontes especializadas publicados, a partir de 2016, nas bases de dados PubMed, textos de referência (como o StatPearls) e a Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia. RESULTADOS E DISCUSSÕES: A cardiomiopatia periparto é diagnosticada clinicamente pela presença de insuficiência cardíaca no final da gestação ou até cinco meses após o parto, associada à fração de ejeção do ventrículo esquerdo <45% e ausência de cardiopatia prévia. O ecocardiograma é o exame central para confirmar a disfunção cardíaca. Exames como ECG, raio-X e BNP/NT-proBNP ajudam no suporte diagnóstico. Por ser um diagnóstico de exclusão, é necessário descartar outras causas de insuficiência cardíaca. Diretrizes destacam a importância de abordagem multidisciplinar e possível investigação genética em casos selecionados. Quanto ao manejo, este segue as recomendações para insuficiência cardíaca, porém com adaptações específicas para o período gestacional e puerperal. A restrição de sódio é a medida inicial para controle volêmico, podendo-se usar diuréticos de alça com seguranç