Capítulo · Saúde Mental - Desafios da Prevenção, Diagnóstico, Tratamento e Cuidado na Sociedade Moderna - Ed. XXX

FATORES DE PREVENÇÃO E PROTEÇÃO EM RELAÇÃO À PSICOSE

Resumo

A psicose é uma síndrome complexa resultante da interação entre vulnerabilidades biológicas, epigenéticas e estressores ambientais no neurodesenvolvimento, manifestando-se por sintomas positivos, negativos e cognitivos. Objetivo: Essa revisão objetivou sintetizar as bases neurobiológicas, os fatores de risco biológicos e socioambientais, e as estratégias preventivas mais eficazes na psicose. Metodologia: Revisão narrativa da literatura focada em evidências recentes e meta-análises sobre neurobiologia, epidemiologia e intervenções precoces em saúde mental. Resultados e discussão: A fisiopatologia envolve disfunções dopaminérgicas (hiperatividade mesolímbica e hipofunção mesocortical) em sinergia com a hipofunção de receptores NMDA, redução de interneurônios GABAérgicos e processos neuroinflamatórios/autoimunes. Os fatores de risco abrangem alta herdabilidade (60-80%), complicações obstétricas, uso de cannabis, trauma infantil e estressores sociais (urbanização, isolamento, discriminação e baixa renda). Como proteção, destacam-se a reserva cognitiva e o suporte social. Estratégias preventivas combinam cuidados no pré-natal/infância e, em indivíduos de alto risco clínico ou pós-primeiro episódio, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) associada à intervenção familiar, que reduz em 58% o risco de recaídas. Conclusão: O manejo adequado da psicose exige superar a abordagem exclusivamente sintomática, integrando a identificação precoce de vulnerabilidades a intervenções psicossociais estruturadas que promovam a prevenção e a recuperação funcional.