Capítulo · Imunologia & Doenças Infecciosas e Parasitárias - Ed X

Miíase cutânea em cenário de vulnerabilidade social: impacto da gravidade clínica e manejo multidisciplinar em paciente pediátrico

Resumo

INTRODUÇÃO: A miíase é uma infecção ectoparasitária caracterizada pela infestação de tecidos vivos ou necróticos por larvas de dípteros (moscas), que utilizam o hospedeiro como fonte de nutrição e desenvolvimento. É uma condição prevalente em regiões tropicais, onde o clima e fatores socioeconômicos desfavoráveis — como precariedade de saneamento e higiene — facilitam o ciclo de vida do parasita. Em lactentes, a miíase pode ser particularmente agressiva devido à fragilidade da barreira cutânea e à maior suscetibilidade a infecções secundárias, tornando o diagnóstico e o manejo precoce cruciais para o prognóstico.
MATERIAL E MÉTODO: Realizou-se uma revisão integrativa da literatura na plataforma PubMed, utilizando os descritores “Miíase”, “Child” e “Infant” nos últimos 10 anos. Foram selecionados 9 artigos que serviram de base para a análise. O estudo consiste em um relato descritivo de caso clínico, baseado em análise retrospectiva de prontuário, com discussão focada na fisiopatologia da infestação e suas complicações sistêmicas.
RELATO DO CASO: Paciente L.A.M.F., sexo masculino, 3 meses e 11 dias, residente em Canoas/RS. Previamente hígido, o lactente iniciou quadro de lesões papulares, eritematosas e intensamente pruriginosas em tronco e membros. Após duas semanas de evolução, surgiram orifícios drenantes na região occipital, acompanhados de edema importante, calor local e febre intermitente.
Ao exame físico na internação, constatou-se miíase extensa em couro cabeludo associada a quadro de escabiose disseminada. O manejo inicial incluiu curativo oclusivo com iodofórmio na região cefálica por 72 horas para induzir a hipóxia das larvas. Posteriormente, realizou-se a retirada manual mecânica das larvas em bloco cirúrgico sob sedação. Para a escabiose, utilizou-se Permetrina 5%. Exames laboratoriais revelaram leucocitose com desvio à esquerda e a hemocultura isolou Staphylococcus aureus, confirmando infecção bacteriana secundária de disseminação hematogênica. O tratamento foi complementado com antibioticoterapia