Capítulo · Pesquisa e Ações em Saúde Pública Ed. XXVIII

USO MEDICINAL DE CANNABIS SATIVA NA DOENÇA DE PARKINSON: EVIDÊNCIAS CLÍNICAS E PERSPECTIVAS

Resumo

A Doença de Parkinson (DP) é caracterizada pela degeneração dos neurônios dopaminérgicos de maneira progressiva, resultando em sinais motores (SM) e não motores (SNM), considerada a segunda doença neurodegenerativa mais prevalente globalmente. O aumento da incidência e prevalência está associado ao envelhecimento populacional, caracterizando um importante problema de saúde pública, com impacto funcional e socioeconômico. Apesar dos avanços terapêuticos, as abordagens disponíveis são predominantemente sintomáticas, representando limitações no controle dos SNM e ausência de efeito modificador da doença, evidenciando a necessidade urgente de alternativas mais eficazes e inovadoras. Nesse contexto, compostos derivados da Cannabis sativa, principalmente os canabinoides, têm despertado interesse científico e emergido como potenciais agentes terapêuticos devido às suas propriedades anti-inflamatórias, neuroprotetoras e moduladoras do sistema endocanabinoide. Este capítulo tem como objetivo analisar criticamente as evidências científicas disponíveis sobre o uso medicinal dos canabinoides e manejo da DP. Trata-se de uma revisão de escopo da literatura conduzida conforme as diretrizes metodológicas específicas. A pesquisa foi conduzida em bases de dados como LILACS, PubMed/MEDLINE, SciELO, Science Direct, Scopus e Web of Science. Foram incluídos estudos clínicos que avaliaram o uso de canabinoides em pacientes com DP e foram excluídos estudos experimentais, duplicados ou que não atenderam aos objetivos da pesquisa. A seleção ocorreu por triagem de títulos, resumos e leitura na íntegra, seguida da extração e análise qualitativa dos dados. Foram incluídos sete estudos, totalizando mais de 1500 participantes, predominantemente idosos, com média etária entre 64 e 70 anos. Entre os estudos analisados, observaram-se dois ensaios clínicos randomizados, dois estudos observacionais, duas revisões e um relato de caso. Aproximadamente 70% dos estudos demonstraram benefícios sobre SNM, especialmente ansiedade, dor e distúrbios do sono