Capítulo · Saúde da Mulher - Ed. XXVI
Doença Inflamatória Pélvica (Dip)
- ISBN 978-65-6029-290-1
- DOI https://doi.org/10.59290/2020325059
- Ano 2025
- Palavras-chave Infecção; Dor; Infertilidade.
Resumo
A doença inflamatória pélvica (DIP) é uma infecção sexualmente transmissível, que afeta o trato genital feminino superior, que inclui o útero, as trompas e os ovários. Essa infecção é frequentemente associada à disseminação ascendente de microrganismos, especialmente a Chlamydia trachomatis e a Neisseria gonorrhoeae. Por ser uma IST, o risco aumenta se houver comportamentos de risco, como ter relações sexuais com múltiplos parceiros, possuir história prévia de outras ISTs ou fazer uso inconsistente de preservativos.
A infecção normalmente se inicia no colo do útero, como uma cervicite, e ascende para o corpo uterino (causando uma endometrite), para as trompas (causando uma salpingite), para os ovários (causando uma ooforite), em casos mais graves, para a cavidade peritoneal (causando uma peritonite). O acometimento das trompas pode resultar em aderências e lesões irreversíveis, que aumentam o risco de infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica.
A sintomatologia da doença inflamatória pélvica usualmente é composta por dor pélvica, febre, corrimento vaginal purulento, dispareunia, dor à mobilização do útero e anexos ao toque vaginal. No entanto, a apresentação clínica pode ser sutil, dificultando o diagnóstico precoce.
O diagnóstico da DIP é clínico, baseado em achados do exame físico e dos sinais e sintomas apresentados pela paciente. Exames complementares, como ultrassonografia transvaginal, testagem para ISTs, hemograma e marcadores inflamatórios ajudam na avaliação, mas não são imprescindíveis para o diagnóstico.
O tratamento sempre é feito com uso de antibióticos. No entanto, a forma de administração depende da gravidade da infecção. Se houver apenas endometrite ou salpingite, sem peritonite, o tratamento pode ser feito de forma ambulatorial. Se houver peritonite ou presença de abscesso tubo-ovariano, o tratamento deve ser feito de forma hospitalar, com a paciente internada.
Até 20% das pacientes com um episódio de DIP evoluem com infertilidade de causa tubária. Outras complicações