Capítulo · Gastroenterologia e Hepatologia - Ed. XIV

Distúrbios metabólicos e endócrinos pós-transplante hepático por MASLD

Resumo

INTRODUÇÃO:O transplante hepático é atualmente uma das principais terapias para pacientes em estágio avançado de Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica (MASLD), anteriormente denominada Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA). Essa condição, impulsionada pela elevada prevalência da síndrome metabólica, tem se consolidado como uma das principais causas de insuficiência hepática terminal e de indicação para transplante em diversos países, inclusive no Brasil. O aumento global da obesidade, do diabetes mellitus tipo 2 e da síndrome metabólica contribui diretamente para o crescimento do MASLD como causa de falência hepática.Embora o transplante proporcione melhora significativa na sobrevida e na qualidade de vida dos pacientes, as alterações metabólicas que originaram a doença frequentemente persistem ou se agravam no período pós-transplante, impactando negativamente a morbimortalidade a longo prazo. A síndrome metabólica pode recidivar ou surgir de forma de novo, havendo elevada incidência de obesidade, dislipidemia, diabetes e hipertensão arterial após o procedimento. Tais condições favorecem a recorrência da esteato-hepatite (MASH) e aumentam o risco de eventos cardiovasculares, considerados uma das principais causas de óbito tardio após o transplante. Além disso, endocrinopatias como hipotireoidismo, hipogonadismo e deficiência do hormônio do crescimento são descritas nesse contexto, potencializando a resistência à insulina e as disfunções lipídicas. Reconhecimento o manejo precoce dos componentes da síndrome metabólica são fundamentais para melhorar a sobrevida e preservar a função do enxerto hepático.METODOLOGIA:Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, realizada por meio de pesquisa nas bases PubMed, SciELO e LILACS, incluindo artigos publicados entre 2015 e 2025, em português, inglês e espanhol, que abordassem distúrbios metabólicos e endócrinos no pós-transplante hepático por MASLD.Os estudos analisados evidenciam alta prevalência de distúrbios metabólicos e endócrinos em