Capítulo · Imunologia & Doenças Infecciosas e Parasitárias - Ed X
Leishmaniose visceral canina no estado do Piauí: uma revisão sistemática
- ISBN 978-65-6029-336-6
- DOI https://doi.org/10.59290/1693203230
- Ano 2026
- Palavras-chave Doenças Tropicais Negligenciadas; Cães; Saúde Pública
Resumo
A leishmaniose é uma doença infecciosa tropical negligenciada, com elevada incidência nas Américas, especialmente no Brasil. Está fortemente associada à pobreza, desnutrição, moradia precária, deslocamentos populacionais, imunossupressão e acesso limitado aos serviços de saúde. No país, o Programa Nacional de Controle e Combate à Leishmaniose reconhece o cão como o principal reservatório doméstico do parasito. No Nordeste brasileiro, particularmente no estado do Piauí, a leishmaniose visceral canina (LV), também conhecida como calazar, constitui uma zoonose de grande relevância epidemiológica, representando risco contínuo à saúde pública. Este estudo consistiu em uma revisão sistemática da literatura conduzida conforme o modelo PRISMA. Foram pesquisados estudos publicados entre 2013 e 2023, utilizando descritores indexados em português e inglês. O processo de seleção resultou na inclusão de oito estudos sobre leishmaniose canina no estado do Piauí, sendo quatro identificados diretamente pelo fluxo PRISMA e quatro adicionais incluídos por indicação dos autores. Os trabalhos analisaram aspectos epidemiológicos, ambientais e estratégias de controle da LV. Os estudos demonstraram que a leishmaniose visceral canina permanece altamente prevalente no Piauí, confirmando seu papel como importante zoonose urbana. Os cães atuam como principais reservatórios domésticos, favorecendo a manutenção do ciclo de transmissão e o risco de infecção humana. A elevada incidência está associada à urbanização desordenada, deficiências de saneamento básico e adaptação do vetor aos ambientes urbano e periurbano. Fatores ambientais, como maior cobertura vegetal nas áreas residenciais, também foram relacionados ao aumento da soropositividade canina. Municípios como Teresina, Parnaíba e Pedro II apresentaram elevada carga da doença, com grande número de cães infectados. Os achados reforçam a complexidade do controle da leishmaniose canina no Piauí, que envolve determinantes ambientais, sociais e urbanos. A presença de áreas com vegetação dens