Capítulo · Pesquisa Multidisciplinar em Saúde Ed. XX
Leite A2A2: Potencial Hipoalergênico E Perspectivas Para A Saúde
- ISBN 978-65-6029-319-9
- DOI https://doi.org/10.59290/1534050928
- Ano 2026
- Palavras-chave Alergia Alimentar; Alergia à Proteína do Leite de Vaca; Intolerância Alimentar
Resumo
O agronegócio constitui uma das principais bases da economia global e apresenta uma cadeia produtiva ampla e diversificada, na qual o leite se destaca como um dos alimentos mais produzidos e consumidos em todos os continentes. Reconhecido como importante fonte de proteínas e micronutrientes essenciais, seu consumo está associado a benefícios como manutenção da saúde óssea, crescimento adequado e auxílio no controle do peso corporal. Entretanto, algumas condições clínicas podem restringir a ingestão desse alimento, como a intolerância à lactose e, principalmente, a alergia às proteínas do leite de vaca (APLV), uma das alergias alimentares mais comuns em lactentes e crianças. Essa condição está relacionada à capacidade de determinados componentes físico-químicos das proteínas lácteas atuarem como antígenos, desencadeando respostas imunológicas exacerbadas. Entre elas, destaca-se a β-caseína, composta por 209 aminoácidos, cuja variação estrutural entre os tipos A1 e A2 ocorre por apenas um resíduo aminoacídico na posição 67. Muitas pessoas relatam desconforto digestivo após o consumo de leite e acreditam possuir intolerância à lactose. No entanto, segundo o National Institutes of Health (NIH), a maior parte da população não apresenta dificuldades na digestão da lactose nem alergia à proteína láctea. Pesquisas de epidemiologia indicam que a intolerância à lactose acomete cerca de 5% da população mundial, embora aproximadamente 20% das pessoas relatem sintomas como gases, distensão abdominal e digestão difícil. Evidências sugerem que esses efeitos podem estar associados à presença da β-casomorfina-7 (BCM-7), um peptídeo liberado durante a digestão da β-caseína A1, apontada como potencial desencadeadora desses desconfortos. Todas as fêmeas de espécies mamíferas, como humanas, cabras, búfalas, éguas e camelas, produzem naturalmente apenas a β-caseína A2. Contudo, uma mutação genética surgida há cerca de 10 mil anos em bovinos resultou na produção da β-caseína A1, frequentemente associada a maior predisposição a reações