Capítulo · Pesquisa e Ações em Saúde Pública - Ed. XXVI

Epidemiologia E Tratamento Das Enteroparasitoses Na Atenção Primária À Saúde: Desafios E Estratégias Intersetoriais No Sus

Resumo

INTRODUÇÃO: As enteroparasitoses são Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs), causadas por parasitas e helmintos, comuns em regiões tropicais e subtropicais com saneamento precário. Mundialmente, atingem cerca de 3,5 bilhões de pessoas, com 2 a 3 milhões de mortes anuais, sendo um grave desafio para a saúde pública. No Brasil, a Atenção Primária à Saúde (APS) é fundamental para o diagnóstico e tratamento precoce, essenciais ao controle dessas doenças conforme o Sistema Único de Saúde (SUS). OBJETIVOS: Analisar os desafios da APS no diagnóstico, tratamento e controle das enteroparasitoses, destacando estratégias do SUS para a sua prevenção. MÉTODOS: Trata-se de uma revisão sistemática, com busca nas bases de dados PubMed, SciELO e LILACS. Utilizaram-se os descritores em português: “Enteroparasitoses”, “Atenção Primária” e “Sistema Único de Saúde”, e em inglês: “Enteroparasitosis”, “Primary Care” e “Unified Health System”, combinados pelo operador booleano AND. Foram incluídos artigos dos últimos 10 anos, em português e inglês. Excluíram-se teses, dissertações, artigos duplicados, incompletos ou com acesso pago. RESULTADOS: Foram identificados 30 estudos sobre dados epidemiológicos, protocolos de atendimento e aspectos clínicos das enteroparasitoses na APS, dos quais 15 compuseram a amostra final. Os agentes mais prevalentes foram Entamoeba coli, Endolimax nana, Giardia lamblia e Ascaris lumbricoides, com maior incidência nas regiões Norte (58%) e Nordeste (50%) do Brasil. A distribuição esteve associada a baixa escolaridade (73%), condições socioeconômicas precárias (65%) e ausência de saneamento. Os grupos mais acometidos foram mulheres (53%), crianças de 2 a 10 anos (64%) e jovens adultos (11%). Entre os desafios da APS destacam-se a escassez de infraestrutura laboratorial para diagnóstico preciso, a falta de capacitação de profissionais para o reconhecimento clínico das enteroparasitoses e o subdimensionamento das equipes de saúde da família em áreas de maior vulnerabilidade. Observou-se também automedicação fr