Crise Conversiva Na Psiquiatria: Compreensão Clínica E Manejo
- ISBN 978-65-6029-350-2
- DOI https://doi.org/10.59290/1006062191
- Ano 2026
- Palavras-chave Crise Conversiva; Psiquiatria; Revisão de Bibliografia.
Resumo
A crise conversiva, atualmente denominada transtorno neurológico funcional, integra o grupo dos transtornos somatoformes e representa condição frequente tanto na psiquiatria quanto nos serviços de emergência. Nas últimas décadas, avanços em neuroimagem e neurofisiologia permitiram melhor compreensão de suas bases neurobiológicas, evidenciando alterações na conectividade entre áreas relacionadas à regulação emocional, atenção e controle motor, sem identificação de lesão estrutural orgânica. Esses achados reforçam que os sintomas são involuntários e reais, resultantes de disfunção dos circuitos cerebrais. O diagnóstico fundamenta-se nos critérios atuais do DSM-5 e da CID-11, que valorizam a presença de sinais clínicos positivos e incompatibilidade com doenças neurológicas conhecidas, afastando progressivamente o conceito de exclusão pura. Do ponto de vista clínico, as crises costumam ser precipitadas por fatores psicológicos, especialmente eventos traumáticos ou situações de estresse intenso, sendo o trauma psicológico elemento central na patogênese de muitos casos. Além disso, observa-se elevada taxa de comorbidades psiquiátricas associadas, como depressão, transtornos de ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático e outros distúrbios de personalidade, que influenciam a apresentação e a evolução do quadro. É essencial diferenciar o transtorno conversivo da simulação consciente (malingering); nessa última há intencionalidade e ganho secundário evidente, enquanto nas crises conversivas os sintomas são genuinamente não voluntários. A distinção entre crise conversiva e epilepsia também é fundamental, sobretudo em apresentações como crises psicogênicas não epilépticas, nas quais faltam achados eletroencefalográficos e padrões motores típicos da epilepsia. O manejo terapêutico exige abordagem empática e livre de julgamentos, com atenção aos aspectos éticos e ao estigma que ainda cercam o diagnóstico. Na fase aguda, priorizam-se intervenções de contenção, tranquilização, psicoeducação e evitação de procedimentos inv