Capítulo · Imunologia & Doenças Infecciosas e Parasitárias Ed VIII
Revisão sobre biofilmes em infecções ocasionadas por Candida albicans
- ISBN 978-65-6029-295-6
- DOI https://doi.org/10.59290/0921251040
- Ano 2026
- Palavras-chave Biofilme; Candida Albicans; Infecção
Resumo
Introdução: As infecções causadas por Candida albicans representam um desafio crescente na prática clínica, abrangendo desde manifestações superficiais, como candidíase oral e vaginal, até infecções sistêmicas graves, principalmente em pacientes imunocomprometidos. A capacidade do microrganismo de formar biofilmes — comunidades celulares organizadas, imersas em matriz extracelular — é um dos principais fatores que dificultam o tratamento, conferindo resistência a antifúngicos e proteção contra mecanismos imunológicos do hospedeiro. Objetivo: Este trabalho tem como objetivo revisar a literatura científica sobre a formação de biofilmes por C. albicans, seus mecanismos de resistência, impactos clínicos e possíveis estratégias terapêuticas, com ênfase no potencial do boldo (Peumus boldus Molina) como agente antibiofilme. Metodologia: Realizou-se uma revisão narrativa da literatura em bases científicas internacionais, incluindo PubMed, Scopus, ScienceDirect e SciELO, abrangendo artigos publicados entre 2015 e 2023. Foram selecionados estudos que abordam aspectos estruturais e moleculares dos biofilmes, mecanismos de resistência antifúngica, bem como investigações experimentais sobre o efeito de compostos naturais, especialmente o chá de boldo, na redução da viabilidade de biofilmes de C. albicans. Resultados e Discussão: A literatura evidencia que a formação de biofilmes envolve etapas de adesão, crescimento, diferenciação em hifas, maturação e produção de matriz extracelular. Essas estruturas protegem o fungo, dificultando a ação de antifúngicos convencionais e a resposta imune. Diversos mecanismos de resistência estão associados aos biofilmes, incluindo a presença de células persistentes, ativação de bombas de efluxo e alterações na composição de membrana. Compostos bioativos do boldo, em especial a boldina, apresentam propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antimicrobianas, sendo capazes de reduzir significativamente a viabilidade de biofilmes, com diminuições relatadas de até 85% em estudos experimentais.