Capítulo · Pesquisa e Ações em Saúde Pública - Ed. XXVI

SAÚDE DO HOMEM E SABERES TRADICIONAIS: RODAS DE CONVERSA EM UMA COMUNIDADE QUILOMBOLA

Resumo

INTRODUÇÃO: As rodas de conversa são ferramentas essenciais na atenção à saúde, promovendo a troca de conhecimentos entre profissionais e comunidades. No contexto do quilombo, essas interações se tornam ainda mais relevantes, visto que, a população quilombola, historicamente marginalizada, desenvolve cotidianamente práticas de cuidado baseadas na relação com a natureza e na transmissão oral de conhecimentos ancestrais, permitindo que saberes tradicionais, como o uso de plantas medicinais, sejam reconhecidos, valorizados pela equipe de saúde e incorporados no cuidado à saúde diante das especificidades culturais. OBJETIVO: Descrever a importância das rodas de conversa como estratégia de construção compartilhada de conhecimentos entre a equipe de saúde e a comunidade quilombola, enfatizando o diálogo sobre práticas de cuidado tradicionais, como o uso de plantas medicinais e a saúde do homem. MÉTODOS: Trata-se de um estudo descritivo, na modalidade relato de experiência, desenvolvido mediante os processos de trabalho de Residentes Multiprofissionais em Saúde da Família em uma visita ao quilombo Custaneira, localizado no município de Paquetá do Piauí. Foram promovidas rodas de conversa com moradores locais, contemplando temas como práticas de saúde, saúde do homem, uso de fitoterápicos, acesso aos serviços de saúde e desafios enfrentados pela comunidade. A roda de conversa dedicada à saúde do homem, teve como público participante adolescentes, jovens adultos e idosos, permitindo uma troca intergeracional de conhecimentos e percepções sobre o autocuidado. O momento foi conduzido de forma dialógica, permitindo que tanto a equipe de saúde quanto os participantes compartilhassem vivências, dificuldades e formas de cuidado eficazes. RESULTADOS: Evidenciou-se a forte presença da fitoterapia na rotina da comunidade, com o uso de plantas medicinais amplamente difundido entre os moradores, despertando o interesse dos profissionais de saúde em compreender melhor tal prática e sua potencial inserção em cuidados complementares à