Capítulo · Ginecologia e Obstetrícia - Ed. XXIV

DIABETES MELLITUS GESTACIONAL: DIAGNÓSTICO, MANEJO CLÍNICO E DESFECHOS MATERNO-FETAIS

Resumo

O diabetes mellitus gestacional (DMG) é a alteração metabólica mais frequente da
gestação, com prevalência global estimada em cerca de 14% e associação com
macrossomia, hipoglicemia neonatal, distocia de ombro, distúrbios hipertensivos e
maior risco futuro de diabetes tipo 2 e doença cardiovascular materna. Apesar de
sua relevância, persistem controvérsias sobre os critérios diagnósticos, o momento
do rastreamento e a segurança em longo prazo dos agentes orais. Este capítulo tem
como objetivo revisar as evidências atuais sobre o diagnóstico, o manejo clínico e
os desfechos materno-fetais do DMG. Trata-se de uma revisão narrativa da
literatura, com busca na base PubMed/MEDLINE e consulta às diretrizes da Sociedade
Brasileira de Diabetes, ao documento conjunto OPAS, Ministério da Saúde, FEBRASGO
e SBD e aos Standards of Care in Diabetes 2026 da American Diabetes Association.
Foram priorizados estudos observacionais de grande porte, ensaios clínicos
randomizados, revisões sistemáticas com metanálise e diretrizes publicados entre
2000 e 2026. O capítulo aborda os fundamentos do estudo HAPO e dos critérios da
IADPSG, a estratégia brasileira de rastreamento universal com glicemia de jejum na
primeira consulta e teste oral de tolerância à glicose com 75 g entre 24 e 28
semanas, e os ensaios recentes que compararam estratégias em uma e duas etapas,
critérios glicêmicos mais e menos restritivos e o tratamento do DMG diagnosticado
antes de 20 semanas. No manejo clínico, discute a terapia nutricional, a atividade
física, as metas glicêmicas, o uso preferencial da insulina e o papel da
metformina e da glibenclamida, bem como a vigilância fetal e a assistência ao
parto. Por fim, analisa os desfechos perinatais e em longo prazo, incluindo o
risco de diabetes tipo 2 e de doença cardiovascular materna, a adiposidade na
prole e a importância da reavaliação glicêmica entre 4 e 12 semanas após o parto.
Conclui-se que o tratamento do DMG reduz complicações perinatais relevantes, que a
insulina permanece o ag