Capítulo · Cardiologia – Teoria e Prática Ed. XXV Volume 2

Cardiopatias Congênitas: Aspectos Gerais E Parâmetros Atuais

Resumo

As cardiopatias congênitas são defeitos estruturais ou funcionais do coração que
estão presentes na vida fetal e ao nascimento, tratando-se de um grupo heterogêneo
de doenças que engloba desde cardiopatias simples, sem complicações clínicas, até
cardiopatias de extrema gravidade. Globalmente, estima-se que as cardiopatias
congênitas afetam cerca de 1 em cada 100 nascidos vivos. No Brasil, essa condição
está entre as malformações que mais matam na infância e ainda permanecem como
a terceira causa de óbito no período neonatal (28 dias após o parto). Por ano, segundo
o Ministério da Saúde, cerca de 30 mil crianças nascem com o problema no país e
aproximadamente 40% vão necessitar de cirurgia ainda no primeiro ano, o que
representa cerca de 12 mil pacientes.
As cardiopatias congênitas são classificadas em cianóticas e acianóticas, conforme a
presença ou ausência de cianose, definida como a coloração azulada da pele e das
mucosas decorrente de hipoxemia. As cardiopatias cianóticas caracterizam-se pela
presença de cianose, enquanto as acianóticas não cursam com esse achado clínico
e constituem o grupo mais prevalente, incluindo condições como a comunicação
interventricular, a comunicação interatrial e a coarctação da aorta.
As manifestações clínicas das cardiopatias congênitas variam consideravelmente
conforme o tipo e a gravidade da malformação. Em geral, os sintomas mais comuns
incluem sinais de insuficiência cardíaca, como dispneia, taquipneia e dificuldades
alimentares, com episódios de cianose em cardiopatias cianóticas. Em casos mais
graves, como nas malformações que afetam a circulação pulmonar ou a transição
entre os circuitos sistêmico e pulmonar, a apresentação clínica pode incluir falência
circulatória, edema periférico e choque. A variação na intensidade e na manifestação
dos sinais clínicos exige uma abordagem diagnóstica precoce e criteriosa,
particularmente no período neonatal.
A grande maioria das cardiopatias congênitas graves pode ser diagnosticada no
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