Capítulo · Endocrinologia e Medicina Estética Ed. XI

USO INDEVIDO DE ANÁLOGOS DE GLP-1 E GIP

Resumo

INTRODUÇÃO: A obesidade e o Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2) são condições metabólicas interligadas e de alta prevalência global. A obesidade favorece resistência à insulina, inflamação crônica e disfunção das células beta, contribuindo para o DM2. A compreensão do efeito incretina possibilitou o desenvolvimento dos agonistas do receptor de GLP-1 (GLP-1RAs) e dos agonistas duplos GLP-1/GIP. O GLP-1 estimula secreção de insulina dependente da glicose, reduz glucagon, retarda esvaziamento gástrico e atua no controle central do apetite, promovendo perda pondera, além de redução de HbA1c, perda de peso e benefícios cardiovasculares. Contudo, observa-se expansão do uso para fins estéticos e em indivíduos sem critérios clínicos formais, fato esse que é discutido no presente capítulo. MÉTODO: Revisão narrativa realizada em 2026, com busca sistematizada no PubMed, incluindo estudos dos últimos cinco anos sobre eficácia, segurança e expansão do uso dos GLP-1RAs. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Os GLP-1 RAs melhoram o controle glicêmico e promovem redução ponderal sustentada. Agonistas duplos potencializam o efeito incretínico. Embora apresentem perfil de segurança favorável, o uso inadequado envolve automedicação, doses elevadas e ausência de acompanhamento de profissional habilitado. Efeitos gastrointestinais, como náuseas e diarreia, são frequentes. Parte da perda de peso decorre da redução de massa magra, podendo diminuir a taxa metabólica basal e favorecer reganho após suspensão abrupta. Evidências não demonstram aumento consistente de risco pancreático ou câncer gastrointestinal, mas persistem incertezas quanto ao uso prolongado fora das indicações formais. CONCLUSÃO: Apesar dos benefícios metabólicos, o uso deve basear-se em critérios clínicos rigorosos, avaliação individualizada de risco-benefício e acompanhamento multiprofissional, evitando banalização terapêutica e riscos desnecessários.