Capítulo · Saúde Mental - Desafios da Prevenção, Diagnóstico, Tratamento e Cuidado na Sociedade Moderna - Ed. XXX

EFEITOS ADVERSOS NEUROPSIQUIÁTRICOS DOS CORTICOIDES NA PRÁTICA CLÍNICA

Resumo

Introdução: Corticoides representam uma classe de fármacos amplamente utilizada na prática clínica devido às suas propriedades anti-inflamatórias e imunossupressoras. No entanto, apesar dos benefícios no tratamento de diversas doenças, seu uso pode estar relacionado a efeitos adversos neuropsiquiátricos. Diante disso, compreender os fatores associados ao desenvolvimento desses efeitos é fundamental para prevenir manifestações graves e orientar o manejo clínico, contribuindo para uma abordagem terapêutica mais segura e individualizada. Objetivo: Investigar os efeitos adversos neuropsiquiátricos associados ao uso de corticoides na prática clínica, abordando as principais manifestações psiquiátricas e cognitivas descritas na literatura e suas repercussões para o cuidado dos pacientes. Metodologia: Foi realizada uma revisão narrativa da literatura com o propósito de reunir e analisar evidências acerca dos efeitos adversos neuropsiquiátricos relacionados ao uso de corticosteroides. Para a composição da revisão, foram considerados estudos relevantes, incluindo revisões sistemáticas, metanálises e pesquisas observacionais. Os achados foram examinados quanto aos seus aspectos clínicos e fisiopatológicos, sendo posteriormente sintetizados por meio de análise qualitativa da literatura. Resultados: A análise da literatura demonstra que os efeitos adversos neuropsiquiátricos dos corticosteroides são frequentes e clinicamente relevantes, apresentando ampla variabilidade de manifestações. Os achados mais descritos incluem alterações do humor, euforia, irritabilidade, ansiedade, insônia, déficits cognitivos e sintomas depressivos, podendo evoluir para mania, psicose e comportamento suicida em situações mais graves. Observou-se associação entre maior risco de eventos neuropsiquiátricos e o uso de doses elevadas, sobretudo nas primeiras semanas de tratamento, embora tais manifestações também possam ocorrer em esquemas de menor intensidade. Evidências sugerem que alterações na neurotransmissão, na neuroplasticidade e na regulação