Capítulo · Imunologia & Doenças Infecciosas e Parasitárias - Ed X

Gravidade e sequelas neurológicas na meningite tuberculosa pediátrica: relato de caso e revisão integrativa da literatura

Resumo

INTRODUÇÃO: A meningite tuberculosa (MTB) representa a faceta mais devastadora da tuberculose extrapulmonar na infância. Caracterizada por extrema gravidade, a patologia é responsável por altos índices de morbimortalidade e pelo desenvolvimento de sequelas neurológicas permanentes, como hidrocefalia, déficits motores e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. A complexidade do diagnóstico precoce em pediatria agrava o prognóstico, tornando a compreensão de sua evolução clínica uma prioridade assistencial absoluta.
OBJETIVOS: Analisar a evolução clínica de um paciente pediátrico com meningite tuberculosa, destacando o impacto da gravidade da doença e a ocorrência de sequelas neurológicas, correlacionando o caso com a literatura atual sobre fisiopatologia e terapêutica.
METODOLOGIA: Realizou-se uma pesquisa na plataforma PubMed com os descritores “meningite tuberculosa”, “criança” e “revisão”, abrangendo os últimos 8 anos. Foram selecionados 16 artigos, resultando em 7 estudos finais após critérios de exclusão e análise de duplicatas. Trata-se de um estudo descritivo de caso clínico com análise retrospectiva de prontuário, fundamentado em revisão integrativa sobre mecanismos de transmissão, imunologia e tratamento.
RELATO DO CASO: Paciente do sexo feminino, 3 meses de idade, previamente hígida, nascida a termo (40 semanas), sem intercorrências neonatais. Apresentou quadro de febre persistente, letargia progressiva e rebaixamento do nível de consciência, associado a paresia de membros superiores. Familiares relataram perda ponderal e sudorese noturna recente. Exames de imagem torácica evidenciaram padrão micronodular difuso, compatível com tuberculose miliar.
A pesquisa laboratorial confirmou Mycobacterium tuberculosis por PCR no líquor e lavado gástrico. A punção lombar revelou glicose de 10mg/dL, proteínas de 396,49mg/dL e pleocitose (126 células/mm³), compatível com MTB. A tomografia de crânio demonstrou ventriculomegalia global, realce leptomeníngeo em cisternas da base e fissura de Sylvius, além de lesões