Capítulo · Cardiologia – Teoria e Prática Ed. XXV

Cardiopatias congênitas: clínica e diagnóstico precoce

Resumo

Introdução: A cardiopatia congênita (CC) é uma das manifestações congênitas mais frequentes e afeta cerca de 1% a 2% de todos os nascidos vivos. É importante causa de mortalidade neonatal e infantil, podendo evoluir com arritmias, insuficiência cardíaca, pneumonia e morte súbita. Assim, a detecção precoce é fundamental, sendo a ecocardiografia fetal predominante no pré-natal, fato que permite fazer a estratificação de risco e orientar o planejamento de parto. No período pós-natal, o teste da oximetria de pulso é amplamente utilizado para CC críticas, embora com limitações para prematuros. No Brasil, a cobertura total da triagem neonatal não é alcançada no período ideal, fato que pode comprometer a vida de milhares de crianças. Assim, é fundamental conhcecer os aspectos clínicos e revisar avanços na detecção das CC, tanto pré-natais quanto pós-natais, bem como o avanço tecnológico capaz de auxiliar no diagnóstico precoce.
Clínica: As manifestações clínicas das CC são determinadas pela presença ou não de cianose, classificadas em cianóticas e acianóticas, respectivamente. Desse modo, para diferenciá-las, as CC cianóticas, sendo as principais Tetralogia de Fallot, Transposição das Grandes Artérias, Atresia Pulmonar, Tronco Arterial Comum, Anomalia de Ebstein e Retorno venoso pulmonar anômalo total obstrutivo, originam-se do shunt direita-esquerda e, posteriormente, podem manifestar desequilíbrios hemodinâmicos. Sendo assim, o quadro clínico tem como principal manifestação a hipoxemia grave, em razão da cianose central resistente. Além disso, pode ser observado o aumento da frequência respiratória. Em contrapartida, as CC acianóticas com hiperfluxo, como a Comunicação Interatrial, a Comunicação Interventricular e o Ducto Arterioso Patente, majoritariamente apresentam sobrecarga volumétrica, fadiga, taquipneia e sinais de insuficiência; e as CC acianóticas, devido a um processo obstrutivo, como a Coarctação da Aorta, podem ser assintomáticas ou evoluírem para síncope, angina e hipertensão em membros superiores.
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