Capítulo · Saúde da Mulher - Ed. XXVIII

Cardiotoxicidade No Tratamento Do Câncer De Mama: Interfaces Entre Mastologia E Cardiologia

Resumo

Cardiotoxicidade no Tratamento do Câncer de Mama: interfaces entre Mastologia e Cardiologia

Introdução - O câncer de mama é a multiplicação desordenada de células anormais nas mamas, resultando em um tumor maligno que pode invadir outros tecidos e órgãos. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) indicaram que, para cada ano do triênio 2023 a 2025, foram estimados 73.610 novos casos, representando uma taxa ajustada de incidência de 41,89 casos por 100 mil mulheres. Em virtude dos avanços terapêuticos, as taxas de sobrevida são crescentes, entretanto, especialmente o uso de antraciclinas e trastuzumabe estão associados a a efeitos cardiovasculares adversos e potencialmente graves. A cardiotoxicidade é caracterizada pela redução da Fração de Ejeção do Ventrículo Esquerdo (FEVE) e é um efeito adverso prevalente, o que pode dificultar a continuidade do tratamento e aumentar o risco de morte. O presente estudo tem por objetivo revisar as atuais evidências sobre o efeito cardiotóxico induzido pelo tratamento realizado por mulheres com câncer de mama, enfatizando mecanismos fisiopatológicos, fatores de risco associados, estratégias de prevenção e manejo.

Metodologia - Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, com levantamento bibliográfico de livros-texto de referência na área de saúde da mulher, cardiologia e oncologia, diretrizes e artigos científicos publicados entre 2015 e 2025. As bases de dados selecionadas para busca bibliográfica foram PubMed e LILACS, onde foram utilizados os descritores “Cardiotoxicidade”, “Câncer de Mama”, “Cardio-Oncologia” e “Trastuzumabe” e seus correspondentes em inglês. Foram incluídos artigos, em português e em inglês que abordassem os principais aspectos dos componentes clínicos relacionados à toxicidade cardíaca associadas ao tratamento deste tipo de câncer.

Discussão - Estudos demonstram que os mecanismos de cardiotoxicidade envolvendo as antraciclinas e o trastuzumabe envolvem vias diferentes. A disfunção miocárdica provocada pelas antraciclinas decorre, princip