Capítulo · Cardiologia - Teoria e Prática Ed. XXVII

Cardiotoxicidade por Imunoterapia: Mecanismos Teóricos e Estratégias Práticas de Manejo

  • ISBN 978-65-6029-345-8
  • DOI https://doi.org/10.59290/0114084092
  • Ano 2026
  • Palavras-chave Imunoterapia; Inibidores de Checkpoint Imunológico; Terapia CAR-T; Cardiotoxicidade; Miocardite; Cardio-Oncologia

Resumo

A consolidação das imunoterapias antineoplásicas, com destaque para os Inibidores de Checkpoint Imunológico (ICIs) e as células T com Receptor de Antígeno Quimérico (CAR-T), redefiniu os paradigmas do tratamento oncológico ao proporcionar respostas clínicas duradouras em neoplasias avançadas e refratárias. Não obstante esses avanços, a ativação exacerbada do sistema imune pode desencadear eventos adversos imunorrelacionados (irAEs), destacando-se a cardiotoxicidade como uma complicação de elevada morbimortalidade. Diferentemente da lesão miocárdica citotóxica clássica induzida por quimioterápicos convencionais, a toxicidade cardiovascular por imunoterapia é mediada por processos inflamatórios complexos, incluindo a perda da tolerância periférica contra autoantígenos cardíacos (como a alfa-miosina), infiltração linfocitária citotóxica no miocárdio e tempestades de citocinas pró-inflamatórias (IL-6 e TNF-alfa) associadas à Síndrome de Liberação de Citocinas (SRC). O espectro clínico abrange desde formas subclínicas até miocardite fulminante, arritmias ventriculares malignas, choque cardiogênico e a síndrome de sobreposição (triple M: miocardite, miosite e miastenia gravis).