Capítulo · Saúde da Mulher - Ed. XXVIII

Rastreamento Mamográfico Do Câncer De Mama Entre 40 E 49 Anos: Avanços, Controvérsias E Impactos Da Nova Politica Publica Brasileira

Resumo

Introdução: O câncer de mama é a neoplasia mais incidente entre mulheres no Brasil e a principal causa de mortalidade por câncer na população feminina. A eficácia do rastreamento mamográfico na redução da mortalidade já está consolidada para mulheres entre 50 e 69 anos, faixa historicamente contemplada pelas diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, recentes atualizações do Ministério da Saúde, publicadas em 2024, passaram a incluir mulheres entre 40 e 49 anos na estratégia de rastreamento, desde que mediante decisão compartilhada com o profissional de saúde. A mudança foi motivada por pressões de sociedades científicas e pela alta incidência da doença nessa faixa etária, mas também trouxe à tona discussões sobre riscos, custo-efetividade e impactos para o sistema de saúde.
Objetivo:Analisar criticamente a ampliação da faixa etária para rastreamento mamográfico no Brasil, considerando os aspectos clínicos, epidemiológicos, econômicos e bioéticos da nova política, à luz das evidências científicas e dos posicionamentos institucionais.
Metodologia: Estudo de revisão narrativa, com levantamento e análise de publicações científicas nacionais e internacionais, diretrizes técnicas do Ministério da Saúde e pareceres de entidades como a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) e a Febrasgo. Foram incluídos artigos indexados nas bases PubMed, Scielo e LILACS, além de documentos oficiais emitidos entre 2010 e 2024.
Resultados: A nova diretriz permite o acesso à mamografia para mulheres de 40 a 49 anos no SUS, desde que indicado em decisão compartilhada. Estudos demonstram que essa faixa etária representa até 40% dos casos de câncer de mama no Brasil. Evidências apontam para uma redução na mortalidade específica entre 20% e 30% com o rastreamento precoce. No entanto, a literatura também destaca riscos relevantes: aumento de falsos positivos, sobrediagnóstico, exposição desnecessária à radiação e sobrecarga no sistema público. A