Capítulo · Clínica Médica e Cirurgia - Ed. II
Colelitíase, Pancreatite e Doenças Biliares: Indicações Operatórias
- ISBN 978-65-6029-329-8
- DOI https://doi.org/10.59290/0000233226
- Ano 2026
- Palavras-chave Doenças Biliares; Colecistectomia; Pancreatite
Resumo
Neste capítulo, serão abordados os principais aspectos relacionados às doenças biliares e suas indicações cirúrgicas. A compreensão da anatomia da vesícula biliar, dos ductos biliares intra e extra-hepáticos e de sua relação com o pâncreas é fundamental para entender a evolução clínica dessas afecções e orientar a conduta terapêutica. Serão discutidas a fisiopatologia dos processos obstrutivos e inflamatórios, as manifestações clínicas, os métodos diagnósticos e as principais indicações cirúrgicas.
As doenças biliares constituem um grupo frequente de afecções do trato digestório, envolvendo principalmente a vesícula biliar e as vias biliares, com repercussões diretas sobre o pâncreas. Essas condições compartilham mecanismos fisiopatológicos semelhantes, especialmente a obstrução do fluxo biliar, o que explica a relação clínica entre colelitíase, colecistite aguda, pancreatite biliar e colangite. As indicações cirúrgicas variam desde quadros assintomáticos até situações de emergência.
A colelitíase é a condição inicial mais comum e caracteriza-se pela formação de cálculos na vesícula biliar. A principal indicação operatória ocorre em pacientes sintomáticos, sobretudo na presença de cólica biliar recorrente ou de complicações como colecistite, pancreatite biliar ou icterícia obstrutiva. A colecistectomia laparoscópica é o tratamento padrão-ouro. Em pacientes assintomáticos, a cirurgia é reservada a situações específicas de maior risco, como vesícula em porcelana, cálculos maiores que 2–3 cm, imunossuprimidos ou candidatos a transplante.
A progressão da colelitíase pode resultar em colecistite aguda, causada pela obstrução do ducto cístico e inflamação da vesícula biliar. Nesses casos, a indicação cirúrgica é clara, sendo recomendada a colecistectomia precoce, idealmente nas primeiras 72 horas, reduzindo o risco de complicações como perfuração, abscesso e sepse. Em pacientes com alto risco cirúrgico ou instabilidade clínica, a colecistostomia percutânea pode ser utilizada como medida temporária.
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