O puerpério representa uma fase crítica para o planejamento reprodutivo, marcada pela retomada precoce da fertilidade e por riscos maternos e neonatais associados a gestações de intervalo curto. A inserção oportuna de métodos contraceptivos seguros e eficazes constitui um componente essencial do cuidado obstétrico e perinatal. Diretrizes contemporâneas (OMS, CDC, FSRH, ACOG) reforçam que a contracepção pós-parto deve ser discutida durante o pré-natal e implementada preferencialmente antes da alta hospitalar, assegurando continuidade e redução de gestações não planejadas. A escolha do método baseia-se em três pilares: tempo desde o parto, presença de lactação e risco tromboembólico. Nas primeiras semanas, o risco de trombose e a influência do estrogênio sobre a lactogênese limitam o uso de contraceptivos combinados, devendo-se priorizar métodos apenas com progestagênio (pílula, implante, injetável) e métodos não hormonais, como o DIU de cobre e o método da amenorreia lactacional (LAM). Esses métodos apresentam segurança comprovada, ausência de impacto negativo sobre o aleitamento e eficácia superior quando comparados ao uso típico de pílulas combinadas. O dispositivo intrauterino (DIU) e o implante subdérmico destacam-se como métodos de longa duração reversíveis (LARC) com maior taxa de continuidade e aceitação. A inserção imediata do DIU — pós-placentária (até 10 minutos), intra cesariana ou até 48 horas após o parto — é considerada segura, embora apresente maior risco de expulsão em relação à inserção tardia. A oferta precoce desses métodos, entretanto, aumenta a cobertura contraceptiva e reduz substancialmente a incidência de gravidez não planejada. O implante, quando colocado no puerpério imediato, mantém eficácia elevada e não interfere na lactação, sendo alternativa de fácil implementação em diferentes níveis de atenção. Além da escolha do método, a estratégia de aconselhamento é determinante para o sucesso da contracepção pós-parto. O diálogo iniciado ainda no pré-natal permite alinhar expectativas, escl