A toxina botulínica é uma neurotoxina produzida pela bactéria anaeróbia gram-positiva formadora de esporos, Clostridium botulinum, sendo reconhecida por causar botulismo, uma doença rara caracterizada por paralisia flácida descendente, simétrica, de início súbito e potencialmente fatal. Atualmente, são conhecidos sete sorotipos (A, B, C, D, E, F e G), sendo o tipo A o mais utilizado devido à sua alta potência e maior tempo de ação. O mecanismo de ação da toxina consiste no bloqueio da liberação de acetilcolina nos terminais nervosos colinérgicos da junção neuromuscular, com efeito de duração aproximada de 3 a 6 meses, dependendo da dose e do local de administração. A aplicação da toxina botulínica do sorotipo A (BoNT-A) foi primeiramente autorizada em 1989 pelo Food and Drug Administration (FDA) para o tratamento de estrabismo, blefaroespasmo e espasmos hemifaciais, sendo seu uso para fins estéticos liberado apenas em 2002. Atualmente, a BoNT-A é utilizada no tratamento de enxaquecas crônicas, disfunções vesicais, hiperidrose, tremor essencial, entre outras condições clínicas. A administração da toxina pode gerar efeitos adversos geralmente temporários e de intensidade leve, incluindo inflamação no local de aplicação, fraqueza muscular e sintomas gripais. O objetivo do estudo é analisar os efeitos adversos, os benefícios funcionais e estéticos, além de apresentar uma perspectiva futura sobre o uso da toxina botulínica no tratamento de doenças e na melhora da qualidade de vida dos pacientes. Foram considerados elegíveis artigos originais e revisões sistemáticas, publicados nas últimas duas décadas,em português e inglês, em periódicos com fator de impacto igual ou superior a 2. As bases de pesquisa utilizadas foram PubMed, LILACS e SciELO com os seguintes descritores “botox”, “toxina botulínica”, “tratamento”, “estética” e “efeitos adversos” selecionando aqueles que descrevessem o mecanismo de ação da toxina e sua aplicação com finalidade terapêutica, para além do uso estético.