Staphylococcus e Streptococcus são cocos Gram-positivos amplamente distribuídos, integrantes da microbiota humana e capazes de causar doenças graves quando rompido o equilíbrio hospedeiro-patógeno. Diante de sua relevância clínica e do aumento global da resistência antimicrobiana, este estudo apresenta, por revisão narrativa (1998–2025) em bases PubMed e periódicos-chave (português/inglês), uma síntese dos principais aspectos de virulência, manifestações clínicas, diagnóstico e tratamento dessas bactérias. O Staphylococcus aureus é o patógeno mais relevante do gênero, caracterizado por ampla capacidade de adaptação e persistência. Seus principais fatores de virulência incluem adesinas, enzimas (coagulase, hialuronidase, lipases) e toxinas (leucocidina de Panton-Valentine, enterotoxinas e TSST-1), responsáveis por infecções cutâneas, osteoarticulares e invasivas, como pneumonia, endocardite e bacteremia. A resistência mediada pelos genes mecA e mecC, que codificam a proteína PBP2a, define o fenótipo de resistência à meticilina (MRSA), associado a infecções de manejo clínico complexo. Entre os estafilococos coagulase negativos, S. epidermidis destaca-se pelas infecções associadas a dispositivos médicos; S. saprophyticus, por infecções urinárias em mulheres jovens; e S. lugdunensis, por comportamento clínico semelhante ao S. aureus. No gênero Streptococcus, S. pyogenes (Grupo A) é associado a faringite, impetigo, erisipela e fasciíte necrosante, podendo evoluir para complicações imunomediadas, como febre reumática e glomerulonefrite. S. agalactiae (Grupo B) permanece agente central de sepse e meningite neonatal, justificando o rastreamento em gestantes. S. pneumoniae é o principal agente de pneumonia adquirida na comunidade, otite e meningite, com destaque para a cápsula polissacarídica como fator de virulência e para a vacinação como medida preventiva essencial. O grupo Viridans mantém relevância em endocardite infecciosa e infecções associadas a dispositivos. Os Enterococcus spp. são relevantes na microbiota int