O uso e o descarte de medicamentos é um assunto que requer atenção, principalmente sob a perspectiva da abordagem em Uma Só Saúde / “One Health”. O acúmulo de medicamentos em domicílios, seja por sobra ou vencimento, é um problema grave, uma vez que incentiva a automedicação e o descarte inadequado. Ademais, os avanços tecnológicos, a facilidade de acesso e a influência exercida pelos meios de comunicação têm contribuído para o uso indiscriminado de medicamentos. Estudos realizados no Brasil indicam que 86% da população utiliza medicamentos sem prescrição médica e que 65% reconhece a influência das redes sociais nesse comportamento. Contudo, embora os meios de comunicação possam incentivar a automedicação, também exercem papel essencial em ações de educação em saúde e ambiental. Outro ponto preocupante é a venda de medicamentos para animais sem a prescrição por médicos-veterinários, o que tem contribuído para o aumento na resistência antimicrobiana e para a ocorrência de intoxicações em diversas espécies. O uso excessivo de doses subterapêuticas na produção animal, combinado com o descarte inadequado de resíduos, tanto da produção quanto dos serviços de saúde animal, favorece a disseminação de patógenos resistentes a medicamentos, representando um sério risco para a saúde pública. A Organização Mundial da Saúde reconhece a resistência antimicrobiana como uma das dez principais ameaças à saúde global. Caso medidas eficazes de prevenção e controle não sejam implementadas, estima-se que, até 2050, o problema poderá resultar na perda anual de 10 milhões de vidas em todo o mundo, além de impactos econômicos que podem alcançar 100 trilhões de dólares. Até 2021, o Brasil gerou entre 10 e 20 milhões de toneladas de resíduos de medicamentos ao ano, o que provoca sérios impactos ambientais. Além do risco de aparecimento de microrganismos resistentes, aumentam as evidências dos efeitos de medicamentos nos ecossistemas, provocando mortes e alterações fisiológicas, comportamentais e reprodutivas em organismos, especialmente o