As síndromes hipertensivas da gestação (SHG) afetam de 5 a 10% das gestantes e são a principal causa direta de morte materna no Brasil. Essas condições englobam diferentes formas de elevação da pressão arterial durante a gravidez, com ou sem envolvimento sistêmico, e têm grande impacto na morbimortalidade materna e fetal. O capítulo apresenta os principais conceitos e condutas relacionadas ao tema. Inicialmente, aborda-se a classificação das SHG, que inclui: hipertensão arterial crônica (HAC), hipertensão gestacional (HG), pré-eclâmpsia (PE), pré-eclâmpsia sobreposta à HAC, eclâmpsia e síndrome HELLP. A classificação leva em conta o início e duração do quadro e a presença de lesão de órgãos-alvo. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia é explicada com base no modelo em duas fases: (1) placentação inadequada, caracterizada por invasão trofoblástica incompleta das artérias uterinas, e (2) resposta inflamatória e endotelial sistêmica, com liberação de mediadores antiangiogênicos que desencadeiam disfunção endotelial e manifestações clínicas sistêmicas. Em seguida, são descritos os fatores de risco para as SHG, como hipertensão crônica, diabetes gestacional, obesidade, idade materna >30 anos, etnia afrodescendente, primiparidade, gemelaridade, histórico familiar e antecedente de pré-eclâmpsia. O capítulo também apresenta os critérios de diagnóstico e as orientações para o manejo clínico de cada entidade. Entre as medidas recomendadas estão o acompanhamento pré-natal rigoroso, uso de anti-hipertensivos seguros, profilaxia com ácido acetilsalicílico e cálcio em gestantes de risco e monitoramento fetal intensivo. São definidos os critérios para interrupção da gestação de acordo com a gravidade do quadro e a idade gestacional, bem como as recomendações para a via de parto. As principais complicações maternas incluem insuficiência renal, AVC, eclâmpsia, síndrome HELLP, hemorragias e óbito. As complicações fetais envolvem restrição de crescimento intrauterino, sofrimento fetal, parto prematuro e morte perinatal. Por fim, o