Introdução: O abdome agudo representa uma das principais emergências na prática médica, caracterizado por dor abdominal súbita e risco elevado de deterioração clínica em curto prazo. Sua importância decorre da alta mortalidade observada quando o diagnóstico é tardio, sendo imprescindível a avaliação imediata e a intervenção terapêutica adequada. No contexto da unidade de terapia intensiva (UTI), o desafio é ainda maior, pois a presença de comorbidades, a instabilidade hemodinâmica e as limitações na avaliação física dificultam a condução do caso e aumentam o risco de desfechos desfavoráveis. Objetivo: O capítulo tem por finalidade discutir a abordagem diagnóstica e terapêutica do abdome agudo em pacientes críticos, revisando aspectos fisiopatológicos, principais etiologias, manifestações clínicas, métodos diagnósticos, estratégias terapêuticas e medidas de suporte intensivo. O enfoque está na identificação precoce das complicações e na adoção de condutas que possam melhorar o prognóstico e reduzir a mortalidade. Metodologia: Realizou-se uma revisão narrativa da literatura, com inclusão de artigos publicados a partir de 2015. Foram priorizados estudos originais, revisões sistemáticas e diretrizes internacionais voltadas ao manejo do abdome agudo em pacientes críticos. A busca foi conduzida em bases como PubMed, Scopus e SciELO, privilegiando publicações que discutem fisiopatologia, etiologias, diagnóstico, prognóstico, complicações e tratamento em cenários de alta complexidade. Discussão: Os mecanismos fisiopatológicos mais relevantes no abdome agudo em pacientes críticos incluem isquemia mesentérica, perfuração de vísceras ocas, pancreatite aguda grave, obstruções intestinais e sepse abdominal. As etiologias podem ser classificadas em inflamatórias, obstrutivas, vasculares e perfurativas, sendo agravadas por fatores como idade avançada, ventilação mecânica prolongada e uso de drogas vasoativas. A avaliação diagnóstica requer exame clínico dirigido, exames laboratoriais específicos, ultrassonografia à beira-lei