A pasteurização é considerada uma das etapas mais importantes na indústria láctea, uma vez que garante a segurança microbiológica do leite ao eliminar microrganismos patogênicos não esporulados e reduzir a carga bacteriana total. Apesar da sua eficácia, este processo térmico não é capaz de eliminar completamente todos os microrganismos, permitindo a sobrevivência daqueles mais resistentes ao calor, tais como: os termodúricos. Esses organismos, que incluem tanto espécies formadoras de endósporos, como Bacillus e Paenibacillus, quanto bactérias não esporuladas, a exemplo de Streptococcus spp. e Enterococcus spp., representam um desafio para a indústria, pois comprometem a estabilidade do leite pasteurizado e colocam em risco a sua qualidade sensorial e nutricional. O presente trabalho tem como objetivo relatar, com base na literatura científica, a relevância dos microrganismos termodúricos no leite pasteurizado, discutindo sua diversidade, mecanismos de sobrevivência e impacto tanto na vida útil do produto quanto na saúde pública. Trata-se, portanto, de uma revisão de literatura que reúne estudos nacionais e internacionais voltados à caracterização desses organismos e à compreensão de seu papel deteriorante e potencial patogênico. De acordo com pesquisas recentes, os microrganismos termodúricos são capazes de resistir não apenas à pasteurização, mas também a tecnologias mais severas, como o tratamento UHT, o que demonstra sua resiliência em condições adversas. A produção de enzimas proteolíticas e lipolíticas por essas bactérias é responsável pela degradação de proteínas e lipídios do leite, ocasionando alterações indesejáveis em sabor, odor e textura, além de reduzir drasticamente o tempo de prateleira. Em países como o Brasil, onde ainda se observam deficiências na obtenção, processamento e envase do leite, a presença desses organismos é particularmente preocupante, pois a vida útil do produto se mostra bastante limitada, com relatos de deterioração em poucos dias de armazenamento. Além das perdas econômicas asso