INTRODUÇÃO: A tuberculose miliar é a forma mais grave e disseminada da doença em crianças, resultante da hematogeneização do Mycobacterium tuberculosis e acometimento multissistêmico. Em pediatria, associa-se à alta morbimortalidade e evolução rápida. O diagnóstico precoce é desafiador devido à clínica inespecífica inicial, evoluindo frequentemente para falência orgânica e neurotuberculose, o que torna a intervenção imediata determinante para o prognóstico. OBJETIVOS: Analisar a evolução clínica de uma paciente pediátrica com tuberculose miliar, destacando a disseminação sistêmica e o comprometimento neurológico, correlacionando achados laboratoriais e de imagem com a literatura atual sobre manejo terapêutico. METODOLOGIA: Realizou-se revisão integrativa na plataforma PubMed (últimos 8 anos, descritores: “tuberculose miliar”, “criança”, “meningite tuberculosa”), selecionando-se 7 artigos finais. O estudo compreende um relato descritivo de caso clínico com análise retrospectiva de prontuário e discussão fundamentada na fisiopatologia da disseminação hematogênica. RELATO DO CASO: Paciente feminina, 3 meses, previamente hígida, nascida a termo. História materna de pré-natal incompleto. O quadro iniciou em 26/07 com febre persistente, tosse e desconforto respiratório. Após passagens por prontos-atendimentos e ciclos de antibióticos sem melhora (amoxicilina/clavulanato e cefalexina), evoluiu com cianose perioral, hipotonia e vômitos. Em 17/08, a radiografia de tórax revelou padrão micronodular bilateral, motivando internação em UTIP. A tomografia de tórax confirmou opacidades micronodulares difusas (processo granulomatoso ativo). A neuroimagem demonstrou ventriculomegalia, realce leptomeníngeo em cisternas da base e lesões nodulares cerebelares, sugerindo neurotuberculose. A punção lombar evidenciou glicose 10 mg/dL, proteínas 396,49 mg/dL e 128 células/mm³. O PCR para M. tuberculosis foi positivo no líquor e lavado gástrico (sensível à Rifampicina). Clinicamente, a lactente apresentou rebaixamento do sensório (Gl