A imunização neonatal é uma estratégia crucial de saúde pública para a prevenção de doenças infecciosas graves e para a redução da mortalidade infantil. Entre as vacinas indicadas nos primeiros dias de vida estão o Bacilo de Calmette-Guérin (BCG), destinada à prevenção de formas graves de tuberculose, e a vacina contra hepatite B. Ambas são administradas rotineiramente a neonatos em diversos países, incluindo o Brasil. No entanto, eventos adversos, especialmente em populações de risco como prematuros e imunodeficientes, têm gerado questionamentos quanto à segurança desses imunizantes. Este estudo teve como objetivo sintetizar as evidências científicas disponíveis, nos últimos cinco anos, sobre a segurança e eficácia das vacinas BCG e hepatite B administradas em neonatos e lactentes. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada por meio da base PubMed, utilizando descritores MeSH e estruturada conforme a metodologia PICO. Foram selecionados 17 artigos que atenderam aos critérios de inclusão. Os achados demonstram que a vacina BCG está associada à redução da mortalidade infantil, inclusive por mecanismos não específicos, mas também a eventos adversos como linfadenite, osteomielite e, raramente, BCG disseminada, sobretudo em pacientes com erros inatos da imunidade. Já a vacina contra hepatite B apresentou perfil de segurança altamente favorável, com reações geralmente leves, como febre, dor local e eritema, e raríssimos casos graves. Estudos populacionais em larga escala reforçam a baixa incidência de eventos adversos significativos para ambas as vacinas. Conclui-se que os benefícios da imunização neonatal com BCG e hepatite B superam significativamente os riscos. Recomenda-se, contudo, vigilância pós-vacinal e triagem de imunodeficiências em casos selecionados. Os dados reforçam a importância da imunização neonatal como política essencial para a proteção da infância.