O câncer configura-se como um dos principais problemas de saúde pública no Brasil e no mundo, ocupando posição de destaque entre as principais causas de morbimortalidade global. Nas últimas décadas, observa-se crescimento expressivo da incidência da doença, impulsionado pelo envelhecimento populacional, pela transição epidemiológica e nutricional e pela maior exposição a fatores de risco associados ao estilo de vida contemporâneo. Estimativas globais indicam que aproximadamente uma em cada cinco pessoas desenvolverá câncer ao longo da vida, com impacto significativo sobre a expectativa de vida, a organização dos sistemas de saúde e os custos assistenciais, especialmente em países de renda média e baixa. No contexto brasileiro, as projeções do Instituto Nacional de Câncer apontam para cerca de 700 mil novos casos anuais no triênio 2023–2025, evidenciando a magnitude do problema no país e sua tendência de crescimento. A carga da doença é fortemente influenciada por fatores de risco modificáveis, destacando-se o tabagismo, o consumo de álcool, a alimentação inadequada, o excesso de peso e o sedentarismo. Além disso, fatores ambientais e ocupacionais, como a exposição à radiação ultravioleta, a poluentes atmosféricos e a agentes químicos, exercem papel relevante em contextos regionais e produtivos específicos. Embora menos frequentes, os fatores genéticos assumem importância clínica significativa, sobretudo nas síndromes hereditárias associadas a mutações germinativas. A distribuição dos tipos de câncer no Brasil apresenta marcadas diferenças segundo sexo, faixa etária e região geográfica. Entre os homens, predominam as neoplasias de próstata, colorretal, pulmão e estômago, enquanto entre as mulheres destacam-se os cânceres de mama, colorretal, colo do útero e pulmão. A incidência aumenta progressivamente com a idade, refletindo o impacto do envelhecimento populacional. Regionalmente, as maiores taxas concentram-se nas regiões Sul e Sudeste, enquanto Norte e Nordeste apresentam menores registros, possivelmente rela