Anomalias anorretais (AAR) são uma série de defeitos congênitos presente em 1 em cada 5.000 recém nascidos.Essas anomalias são resultado da falha no desenvolvimento do anus e reto do feto que variam em gravidade, desde a ausência total do ânus até anomalias mais leves, como estreitamento ou anomalias no desenvolvimento da musculatura do esfíncter anal. No espectro de defeitos mais leves, a correção cirúrgica oferece um ótimo prognóstico de funcionamento do trânsito intestinal, incontinência urinária e função sexual, já em defeitos mais graves existe a possibilidade de reparo da anatomia do períneo porém sequelas como ausência de trânsito intestinal, controle esfíncter urino e algum grau de disfunção sexual. Estima-se que 65% das crianças com AAR apresentam outras anomalias congênitas associadas, especialmente do trato urogenital (50%), vértebras e coluna (30%), e sistema cardiovascular (30%). Por isso, triagem precoce é recomendada com exames como ultrassonografia abdominal e pélvica, ecografia e radiografia da coluna lombossacra, e avaliação clínica cardiovascular nas primeiras 24 horas de vida. O diagnóstico inicial é clínico, por meio do exame físico neonatal. A presença de sulco glúteo profundo e ausência de eliminação de mecônio pode indicar ânus imperfurado. Quando não há eliminação de fezes nem evidência de fístula visível, indica-se a realização de invertograma (radiografia lateral com pelve elevada) para determinar a altura do defeito e guiar a abordagem cirúrgica. Já a eliminação de mecônio por orifícios anômalos indica presença de fístulas, como as cutâneas (geralmente de baixa complexidade), as vestibulares (em meninas) ou as retouretrais e retovesicais (em meninos), sendo estas últimas associadas a malformações mais graves. A identificação do tipo de fístula é feita por meio de exames contrastados, como o enema opaco, que permite diferenciar fístulas uretrais (bulbar ou prostática) e vesicais, além de auxiliar na caracterização de cloaca. O ânus imperfurado sem fístula é mais frequente em crian