O climatério é compreendido como uma fase fisiológica do envelhecimento feminino, marcada pela transição do período reprodutivo para o não reprodutivo, decorrente da falência ovariana progressiva e da redução dos níveis hormonais, especialmente do estrogênio. Diante do envelhecimento populacional e do aumento da expectativa de vida das mulheres, esse período se torna de grande relevância clínica e epidemiológica, uma vez que uma parcela expressiva da vida feminina ocorre sob condições de deficiência estrogênica. As alterações fisiopatológicas do climatério estão relacionadas ao esgotamento folicular e ao desequilíbrio do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano, resultando em elevação dos níveis de FSH e declínio do estradiol. Essas modificações hormonais desencadeiam um conjunto de manifestações clínicas que variam em intensidade e repercussão, influenciadas por fatores biológicos, psicossociais e culturais. Entre os sintomas mais frequentes destacam-se os fogachos e a sudorese noturna, além de distúrbios do sono, alterações do humor, fadiga e redução da qualidade de vida. A deficiência estrogênica também está associada à síndrome geniturinária da menopausa, caracterizada por alterações vulvovaginais e urinárias, com impacto negativo sobre a sexualidade e o bem-estar. Em longo prazo, observa-se aumento do risco de doenças cardiovasculares, alterações metabólicas, perda de massa óssea e osteoporose, reforçando o caráter sistêmico do climatério. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na correlação entre idade, padrão menstrual e manifestações típicas, sendo os exames complementares indicados de forma individualizada. O manejo deve ser integral e centrado na mulher, priorizando medidas de promoção da saúde e mudanças no estilo de vida, com indicação de terapias farmacológicas conforme a intensidade dos sintomas, a presença de comorbidades e as preferências da paciente. O climatério representa, portanto, uma oportunidade estratégica para o cuidado contínuo, a prevenção de doenças crônicas e a promoção do