As doenças desmielinizantes do sistema nervoso central, especialmente a Esclerose Múltipla (EM), representam um conjunto de condições inflamatórias crônicas que afetam, de forma progressiva, a qualidade de vida e a funcionalidade de pessoas adultas, em especial mulheres jovens. A EM, considerada a principal condição desmielinizante, caracteriza-se por surtos e remissões, lesões disseminadas no tempo e no espaço e uma complexa interação entre predisposição genética e fatores ambientais. Diante da diversidade de apresentações clínicas e da imprevisibilidade de sua evolução, a terapêutica personalizada surge como um modelo de cuidado essencial e promissor. Este capítulo apresenta os principais marcos da terapêutica moderna da Esclerose Múltipla e de outras doenças desmielinizantes, como a Neuromielite Óptica (NMO) e a Encefalomielite Aguda Disseminada (ADEM), destacando a relevância de abordagens individualizadas. Inicialmente, discute-se a fisiopatologia e o papel do sistema imune na destruição da mielina, assim como os avanços diagnósticos que possibilitam o reconhecimento precoce dessas condições. A partir disso, o texto explora as opções terapêuticas atualmente disponíveis, incluindo as terapias modificadoras da doença (TMDs), como ocrelizumabe, natalizumabe, fingolimode e cladribina, além das perspectivas futuras com terapias de remielinização e neuroproteção. No contexto da medicina personalizada, ganha destaque a necessidade de considerar o perfil clínico do paciente, o padrão de atividade da doença, comorbidades, fatores genéticos, adesão ao tratamento e impacto psicossocial. Apesar dos avanços significativos, ainda persistem desafios como a heterogeneidade de resposta às medicações, os efeitos adversos, o alto custo dos imunobiológicos e as barreiras de acesso no sistema público de saúde. O capítulo também ressalta a importância da abordagem interdisciplinar, com foco não apenas na modulação da atividade inflamatória, mas também no controle sintomático (fadiga, dor, disfunções motoras e cognitivas), na reab