Do ponto de vista ecoepidemiológico, Ascaris suum apresenta um ciclo de vida direto e eficiente, o que explica sua persistência em sistemas suínos em todo o mundo. A infecção inicia-se com a ingestão de ovos embrionados presentes no solo, na água ou na ração contaminados com fezes de suínos. Esses ovos possuem uma casca multilaminar extremamente resistente a fatores físicos e químicos, permitindo sua sobrevivência ambiental por longos períodos, podendo ultrapassar vários anos, o que constitui o principal ponto crítico de transmissão (Roepstorff & Nansen, 1998; Oh, K.-S et al., 2016). Após a ingestão, as larvas eclodem no intestino delgado e penetram na mucosa intestinal, iniciando uma migração hepatopulmonar característica. No fígado, causam lesões inflamatórias conhecidas como manchas leitosas, associadas a perdas econômicas devido a condenações em matadouros. Posteriormente, as larvas atingem os pulmões, passam pelos alvéolos e migram pelo trato respiratório até a faringe, de onde são novamente deglutidas. (Urban et al., 2011). Ao retornarem ao intestino delgado, as larvas completam sua maturação, tornando-se adultos sexualmente funcionais, capazes de produzir centenas de milhares de ovos por dia, perpetuando assim o ciclo. Os principais focos de transmissão concentram-se no acúmulo de fezes, saneamento precário, alta densidade animal e manejo inadequado de dejetos, especialmente em sistemas de criação de animais de pequeno porte. Estudos recentes enfatizam que o controle eficaz requer abordagens integradas que combinem biossegurança, desparasitação estratégica e manejo ambiental sob o paradigma de Saúde Única (Nejsum et al., 2012; Jourdan et al., 2018).